Legislativas 2025

Alegria e luta! Como foi a campanha do Bloco de Esquerda

16 de maio 2025 - 15:35

De norte a sul do país, a campanha do Bloco de Esquerda encarou com combatividade mas também felicidade os desafios que Portugal enfrenta. Desde os transportes de madrugada aos comícios noturnos, foram duas semanas que se fizeram de forma diferente para mudar a política portuguesa.

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Mudar de Vida é uma festa
Fotografia de Gabriela Carvalho.

Foram duas semanas de combate, de denúncia das desigualdades da economia portuguesa e de construção de uma alternativa à direita, mas também de festa, solidariedade, conversa e sobretudo de escuta. O Bloco de Esquerda comprometeu-se a fazer uma campanha diferente, que quebrasse as rotinas do molde tradicional da campanha política em Portugal, e cumpriu com a sua promessa.

A campanha oficial começou no domingo, dia 4 de maio, com um comício internacionalista no Incrível Almadense que juntou representantes da esquerda verde europeia para mostrar que há um movimento internacional de combate à extrema-direita e à escalada armamentista. Numa sala cheia, o comício de abertura de campanha teve a participação de três eurodeputadas e dirigentes da esquerda espanhola, francesa e finlandesa.

Comício internacionalista
Comício com representantes da esquerda europeia. Fotografia de Gabriela Carvalho.

Irene Montero, ex-ministra da Igualdade de Espanha e eurodeputada do Podemos, lembrou que “o sistema capitalista neoliberal que sustenta os privilégios dos donos do mundo está apoiado sobre os corpos das mulheres”. Li Anderson, ex-ministra da Educação da Finlândia e eurodeputada da Aliança de Esquerda, aproveitou para salientar que é a esquerda que representa quem trabalha e que a extrema-direita ataca os direitos dos trabalhadores. Manon Aubry, eurodeputada da França Insubmissa, defendeu propostas de justiça fiscal e garantiu que “taxar os ricos” é uma linguagem internacional.

Nesse comício, o combate à oligarquia deu o mote à intervenção de Mariana Mortágua, a propósito da mudança política do outro lado do Atlântico, onde essa oligarquia “completou o seu assalto ao poder nos EUA”. Essa oligarquia quer “ser dona dos nossos sonhos e desejos”, tentando convencer cada pessoa de que também pode ser um milionário, desde que tenha “o mindset adequado”.

Na segunda-feira, dia 5 de maio, a coordenadora do Bloco de Esquerda visitou a Escola Nuno Gonçalves, uma escola que tem alunos de 55 nacionalidades e que é um exemplo de integração e inclusão social e na educação.

Apesar de as escolas enfrentarem “grandes desafios, que têm a ver com as suas infraestruturas, com o investimento nas escolas”, Mariana Mortágua salientou que a educação é fundamental para o acolhimento de comunidades imigrantes e que “são precisos mais mediadores culturais e linguísticos, para que possam ajudar na integração destas crianças e formas pedagógicas diferentes”.

Pelas 5h da madrugada do dia seguinte, Mariana Mortágua acompanhou Adelina Fortes e Fernanda dos Santos, trabalhadoras do serviço doméstico, nos transportes públicos desde a Damaia para mostrar o “Portugal invisível” de quem sai de casa à madrugada e volta às 21h para limpar as casas de outras pessoas. Foi uma ação de contacto nos transportes públicos matinais com mulheres que apanham três ou mais autocarros para ir para o trabalho enquanto o resto do país dorme.

Mariana mortágua
Mariana Mortágua a acompanhar as trabalhadoras nos transportes matinais. Fotografia de Filipe Amorim/Lusa.

“Num país que gosta de falar tanto em meritocracia, ninguém me convence que uma mulher que se levanta às 4h da manhã e apanha três autocarros para limpar três casas ou instituições e chega a casa às 21h para cuidar dos seus filhos não tem mérito”, disse a dirigente do Bloco de Esquerda. “Esta será certamente a mulher com mais mérito da economia portuguesa e nem por isso deixa de ganhar o salário mínimo nacional”.

Pela tarde do mesmo dia, Mariana Mortágua esteve com a Associação de Moradores do bairro do Zambujal, para denunciar as zonas “que o Estado abandona”. Visitou o projeto Percursos Acompanhados, que presta apoio ao estudo e à educação a mais de 50 crianças daquele bairro, falou com quem trabalha no terreno e percebeu as dificuldades de uma educação que não é igual para todos.

Na Associação de Moradores, ouviu e discutiu francamente com os moradores os problemas do bairro, que com cerca de 5.000 moradores tem prédios degradados, enquanto mesmo ali ao lado há bairros com condições muito melhores.

“A semana passada vim cá. Desci as escadas até às casas que estão de frente para Alfragide, e é brutal a diferença. Uma pessoa olha para o lado de Alfragide tem os jardins arranjados, caixotes do lixo, tudo. Chega-se ao Zambujal e nota-se que a Junta e a Câmara não fazem o que deviam fazer”, disse aos moradores.

Na quarta-feira, a comitiva do Bloco de Esquerda saiu da capital e marcou presença na greve da Sumol+Compal, em Almeirim. Foram centenas de trabalhadores por turnos que lutaram por melhores condições depois de 10 anos a perder poder de compra. A sua luta, com a solidariedade do Bloco de Esquerda, serviu de exemplo sobre os problemas dos trabalhadores por turnos em Portugal.

Falando aos trabalhadores, Mariana Mortágua começou por lançar o mote sobre desigualdade económica que marcaria toda a campanha dizendo que “há dois lados na política”. “Há o lado que defende a família Eusébio [detém a Sumol+Compal], que tem os 75 milhões na conta, e o lado que defende os 1.000 trabalhadores da empresa”.

Depois de Santarém, a campanha do Bloco de Esquerda dirigiu-se à Marinha Grande, onde tinha encontro marcado com trabalhadores da indústria vidreira para falar também sobre trabalho por turnos. Mais uma vez numa ação de escuta, a coordenadora do Bloco de Esquerda e Fernando Rosas ouviram os testemunhos de quem trabalha na indústria sobre o desgaste mental, físico e social de trabalhar durante a noite.

“Nos primeiros anos o corpo consegue lidar, mas depois disso é complicado” e “todos os trabalhadores da indústria têm queimaduras de vidro, é tão pesado que tomamos opióides para ir trabalhar”, disse um dos trabalhadores.

Sessão com vidreiros da Marinha Grande
Sessão com vidreiros da Marinha Grande. Fotografia de Gabriela Carvalho.

Já Mariana Mortágua salientou que em todo o trabalho por turnos há um desgaste único, emocional e físico, de “quem não consegue ter o seu próprio ritmo” e que “viver num ritmo que muda todos os dias e ainda ter de compatibilizar isso com um trabalho desgastante é esmagador”.

O dia terminou com um comício em Leiria que contou com a presença de Marisa Matias, Cucha Carvalheiro, José Manuel Pureza, Mariana Mortágua e o fundador do Bloco e cabeça-de-lista pelo distrito, Fernando Rosas. O tema foi mais uma vez a desigualdade económica e a exploração no país, com Mariana Mortágua a defender que a crescente desigualdade existe porque no parlamento e na sociedade há mais gente a defender os patrões do que quem trabalha.

Fernando Rosas, por sua vez, disse que “votar útil é romper com esse rotativismo pela esquerda” e que “é preciso escolher entre a corrida belicista aos armamentos, geradora das novas guerras imperiais ou a defesa e a melhoria dos salários, das pensões, da habitação ou da saúde”.

Tecno-oligarcas, pobreza e justiça fiscal

No dia 8 de maio, o destino da campanha foi Coimbra, onde o tema foram os tecno-oligarcas, numa palestra dinamizada por Mariana Mortágua que explica a forma como os donos das grandes plataformas digitais extraem dados e estruturam as redes sociais para lucrar e conseguir impor uma dominação social.

De Elon Musk a Jeff Bezos e Mark Zuckerberg, a coordenadora do Bloco de Esquerda expôs as formas como cada um dos tecno-oligarcas, que se aliaram a Trump, dominam as infraestruturas digitais. “Logo a seguir à eleição de Donald Trump estes tecno-oligarcas deram um milhão, cada um, ao fundo inaugural de Donald Trump”, disse.

“A soberania digital importa”, afirmou Mariana Mortágua. E por isso o Bloco quer mais transparência algorítmica e soberania digital “e o Estado tem um papel nisso”. Serviços públicos digitais, transparência algorítmica e impostos sobre as fortunas digitais são as propostas do partido para impedir que quem controla as redes sociais controle as nossas vidas.

Mariana Mortágua e Esmeralda Mateus
Mariana Mortágua e Esmeralda Mateus. Fotografia de Gabriela Carvalho.

Voltando ao contacto com a população, a coordenadora do Bloco de Esquerda visitou na sexta-feira a Associação de Moradores do Bairro Aldoar, onde 40% da população não tem eletricidade e 20% não tem água.

É nos casos dessa pobreza extrema que se veem os indicadores da desigualdade económica que existe em Portugal. E é a partir desse exemplo que o Bloco de Esquerda encontra a “ligação entre as pessoas que não conseguem pagar a eletricidade e quem acumula fortunas milionárias”. Entre os 900 mil trabalhadores que são pobres e os 50 mais ricos de Portugal.

No bairro de Aldoar, Mariana Mortágua encontrou Esmeralda Mateus, presidente da Associação de Moradores e sua fundadora, que chega onde o Estado não chega. Entrega comida a quem não tem que comer, visita os vizinhos mais velhos para garantir que estão bem, dá apoio às crianças.

À noite, a campanha do Bloco de Esquerda esteve presente em Guimarães para pegar nos casos de desigualdade como o de Aldoar, e falar sobre justiça fiscal, desigualdade e taxação das grandes fortunas. Foi uma sessão dinamizada entre a coordenadora do Bloco de Esquerda e Francisco Louçã, no Centro Internacional das Artes José Guimarães.

Mariana Mortágua aproveitou para apontar a discrepância entre o salário anual de Pedro Soares dos Santos e uma operadora de caixa do Pingo Doce. É uma diferença de dois mil seiscentos e quinze euros à hora contra seis euros à hora. “Devemos perguntar-nos qual é o mérito do herdeiro de uma fortuna para que possa pagar-se a si próprio tanto, e ganhar num ano o que uma trabalhadora da sua empresa levaria 400 anos para ganhar”, disse.

Francisco Louçã explicou que taxar os super-ricos não penaliza o mérito, uma vez que estas fortunas são construídas sobre o poder que nasce da herança de milhões de euros. Mas o ex-coordenador do Bloco de Esquerda questionou se essa taxação levará à fuga desses milionários. “Esse é um argumento muito interessante e quero falar dele a partir de dados concretos”, disse.

A temática manteve-se no centro da campanha do Bloco de Esquerda no dia seguinte de manhã, com uma corrida que juntou centenas de pessoas em Lisboa para “correr com as desigualdades”. Quem correu, levou às costas o mote “Taxar os ricos”, para deixar bem claro o que significa ser do Bloco de Esquerda.

“Corremos para que os super-ricos possam contribuir para pagar as pensões de todos, a escola de todos, a saúde de todos. Estamos aqui nesta corrida para dar esse sinal”, disse a coordenadora do partido naquele momento.

Corrida Taxar os Ricos
Corrida para taxar os ricos. Fotografia de Rafael Medeiros.

A defesa dos invisíveis

Depois da corrida matinal, a campanha do Bloco de Esquerda correu novamente para o Norte, para uma festa-comício na Associação de Moradores da Bouça, no Porto, com Mariana Mortágua e Marisa Matias. Foi uma mudança de tom para a campanha, com um foco reforçado sobre o trabalho, mas também sobre a liberdade e a luta coletiva da esquerda.

Nos últimos anos, há milhares de trabalhadores e trabalhadoras que foram perdendo salário, tiveram os salários congelados, estão mais desprotegidos, perderam dias de férias e proteções. “Há a lei que protege e a lei que oprime, a lei que protege e a lei que permite explorar. E nos últimos 30 anos as alterações às leis do trabalho e as que permitiram privatizar, foram alterações de liberdade para explorar e menos liberdade para quem vive no trabalho”, afirmou Mariana Mortágua.

Marisa Matias, que é cabeça-de-lista pelo círculo eleitoral do Porto, usou o seu discurso para sublinhar a necessidade de opor a empatia ao ódio, desde o genocídio em Gaza até aos direitos sociais em Portugal.

“A nossa vida não está mais difícil por causa das pessoas trans, das pessoas com deficiência, das pessoas que têm o cabelo de uma certa cor, nem porque há pessoas que toda a vida foram discriminadas e começam a aceder aos seus direitos”, explicou Marisa Matias. “A nossa vida está mais difícil porque essa dificuldade crescente permite a poucos acumular mais dinheiro, e é por isso que precisamos mesmo de mudar de vida”.

No domingo, o formato de festa-comício foi repetido em Lisboa, com centenas de pessoas, jogos tradicionais, música, feira de artesanato, comidas e bebidas. Depois de Luís Montenegro se colocar como o “farol do país”, a coordenadora do Bloco de Esquerda aproveitou o comício para responder. E disse que “o farol deste país são as mulheres que vão trabalhar e chegam a casa e tomam conta dos filhos”. E essa luta “não é uma luta por privilégio. É a luta de todos e para todos, das urgências dos hospitais às escolas e creches”.

Comício em Lisboa
Festa-comício em Lisboa. Fotografia de Gabriela Carvalho.

Fabian Figueiredo, o líder da bancada parlamentar do Bloco de Esquerda e candidato pelo círculo eleitoral de Lisboa, disse que os militantes do Bloco de Esquerda “não aceitam o Portugal dos pequeninos que a direita quer impor, querem um Portugal novo”. O dirigente bloquista disse que “sabemos como a vida é difícil e estamos cá para mudar isso”.

A campanha não esqueceu o sul, e foi até ao Algarve para escutar os moradores de Loulé que se veem em risco de demolições por parte da Câmara Municipal. São cerca de 700 pessoas que estão sinalizadas pela autarquia e cujas casas devem ser demolidas sem alternativa. Construiram nos seus próprios terrenos depois de não conseguirem pagar a renda ou a prestação ao banco. As casas não têm fundações nem risco de impermeabilização, mas não lhes é permitido viver ali, nas suas próprias condições.

A ação serviu para “mostrar que quem tem dificuldade em ter uma casa, trabalha” e afirmar que “este país tem de conseguir dar casa às pessoas”. Só que para isso, a construção não é solução. E Mariana Mortágua salienta que “há muita construção, mas sabemos que não é para nós”.

Uma luta intergeracional pela liberdade

Na tarde de segunda-feira, a caravana bloquista visitou o Forte de Peniche, onde a coordenadora do Bloco de Esquerda se encontrou com Fernando Rosas, que esteve ali preso durante a ditadura do Estado Novo. O candidato por Leiria disse que a história “ensina-nos que o ser humano é maior do que a morte, do que a violência e do que a repressão, sobretudo quando é guiado por um espírito de liberdade e de justiça. É o exemplo destes homens”.

Já Mariana Mortágua aproveitou a visita para lançar o repto para uma luta intergeracional pela liberdade, da geração “que fez o 25 de abril” até à geração que “hoje é muito jovem e desce a Avenida da Liberdade porque não quer deixar cair essa luta”.

Mariana Mortágua
Mariana Mortágua visita a Unisseixal. Fotografia de Gabriela Carvalho.

“Nós não combatemos a extrema-direita para preservar a liberdade do 25 de Abril. Nós combatemos a extrema-direita para preservar a liberdade de hoje”, disse a dirigente bloquista. “E temos encontrado muitos jovens nesse caminho, que percebem que a sua liberdade está em risco, sobretudo jovens mulheres, que sabem o que significa a ameaça da extrema-direita”.

Com esse mesmo mote, a visita de terça-feira de manhã foi à Universidade Sénior Unisseixal onde Mariana Mortágua defendeu uma política de solidariedade num “encontro de gerações” pela democracia. “Queremos um país em que os mais novos se preocupam com os mais velhos, com as suas pensões e com a sua autonomia, e em que os mais velhos votam por si mas também pelos mais novos e pelo futuro”, disse.

Pelo início da tarde, o tema da solidariedade intergeracional manteve-se na esplanada da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, numa conversa com estudantes onde foram temas de destaque a crise de habitação, a crise climática, e o emprego. Foi nessa sessão que Ana Drago apoiou publicamente o Bloco de Esquerda, dizendo que o partido “estruturou um programa que responde aos grandes desafios do futuro”.

À noite, a coordenadora do Bloco de Esquerda rumou a Braga para um comício no Theatro Circo que encheu e deixou pessoas à porta sem conseguir entrar. Mariana Mortágua discursou primeiro e falou da ânsia de “mudar de vida”, que significa “mudar o país”.

Comício em Braga
Plateia do comício em Braga. Fotografia de Rafael Medeiros.

Face ao projeto de “dividir para reinar” da extrema-direita, a dirigente bloquista aposta numa estratégia para “juntar, juntar, juntar”. Contra o ataque da direita, a candidatura de Francisco Louçã faz parte de uma “obrigação de ir buscar todos e todas as que já votaram no Bloco de Esquerda, as que já foram deputadas pelo Bloco de Esquerda” para enfrentar o que aí vem.

O fundador do partido e cabeça-de-lista por Braga apostou numa mensagem de esperança com base na ideia de que o Bloco sempre juntou o povo que era preciso. “A mim marca-me uma certeza: ninguém é feliz sozinho. Numa política que faz comunidade, a beleza da fraternidade é aquilo que permite responder ao nosso povo”, disse.

Trabalho, habitação e a libertação da Palestina

Já na fase final da campanha, a campanha do Bloco de Esquerda marcou presença no distrito de Aveiro. À tarde, em Santa Maria da Feira, Mariana Mortágua juntou-se ao fundador do Bloco de Esquerda e cabeça-de-lista desse distrito, Luís Fazenda, para ouvir e falar com trabalhadores por turnos.

Foram enfermeiros, técnicos de emergência pré-hospitalar, administrativos da saúde, técnicos auxiliares de saúde, técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica e ainda trabalhadores de indústria do papel, da cortiça, do calçado e dos casinos, que aproveitaram o sol da tarde para se juntar à ação de campanha do Bloco de Esquerda.

Mariana Mortágua abriu a sessão dizendo que o partido determinou como objetivo “mostrar o trabalho que nunca é mostrado e os trabalhadores que nunca aparecem nas campanhas”. Já Luís Fazenda diz que o trabalho por turnos é uma “locomotiva da organização geral do trabalho”, que é preciso mudar.

À noite, num comício em Aveiro que juntou Paula Cosme Pinto, Mário Moutinho, Pedro Filipe Soares, o cabeça-de-lista e a coordenadora bloquista, que voltou a frisar as bandeiras feministas do partido. “Há quem ache que fomos longe demais e temos demasiados direitos”, disse. “Mas nós no Bloco achamos que ainda não fomos longe o suficiente”.

“Mudar de vida é responder pelas mulheres. Somos metade da população e tratadas como uma minoria muitas vezes”, afirmou a coordenadora do Bloco de Esquerda. “Nós pusemos sempre as mulheres no centro da nossa política e mudámos a política connosco”.

Luís Fazenda entrou no palco com ovação de pé da plateia. Lembrou que o Bloco de Esquerda tem uma visão da sociedade que parte do trabalho e isso está ligado à imigração mas também aos salários que foram sendo comidos pelo custo de vida.

Acusou também a Ministra do Trabalho de adiar a revisão do Código de Trabalho porque “não quer orientar a política laboral em Portugal para os direitos de quem trabalha” e deixou o alerta que “uma maioria do PSD vai apertar a garganta aos trabalhadores”.

Mariana Mortágua
Mariana Mortágua na FLUP. Fotografia de Gabriela Carvalho.

No penúltimo dia de campanha, Mariana Mortágua foi recebida por uma multidão de jovens na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Selfies, abraços e palmas deram lugar a uma sessão onde o destaque foi a libertação da Palestina, na data que assinala os 77 anos da Nabka. A habitação também foi um foco dos testemunhos dos estudantes. Depois, rumou ao Bar Espiga para outra sessão com casa cheia, desta vez sobre a crise de habitação.

Foi aí que ouviu as histórias de Lara, Vânia e Pedro, que lutam diariamente para ter uma casa para viver contra casos de despejo e precariedade habitacional. A coordenadora do Bloco de Esquerda afirmou que o partido quer dar voz e falar dos problemas das pessoas, da realidade da dificuldades de todos os dia.

É “uma campanha com muita festa, muita alegria, mas também com emoção”, e com propostas que são “a cola disto tudo”. O compromisso é que cada deputado e deputada do Bloco de Esquerda “vai levar a habitação ao parlamento”.

A última ação de campanha está marcada para a Avenida Luísa Todi, em Setúbal, a partir das 19h. Com concertos de Quimeras d'Mel e Farra Fanfarra, jogos tradicionais, comida e bebida, e intervenções de Joana Mortágua e Mariana Mortágua, será um resumo de uma campanha de alegria, festa e luta.