Legislativas 2025

Contra o projeto da direita, Mariana perguntou “quem tem medo da liberdade?”

11 de maio 2025 - 19:13

Num comício onde o Bloco de Esquerda sublinhou a sua marca feminista, Mariana Mortágua explicou a Luís Montenegro que o farol do país são "as mulheres que vão trabalhar e chegam a casa e tomam conta dos filhos". Já Fabian Figueiredo frisou o projeto histórico do Bloco de Esquerda para defender quem trabalha.

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Mariana Mortágua
Mariana Mortágua. Fotografia de Filipe Amorim/Lusa

A festa-comício já tinha começado há duas horas, mas as intervenções só tiveram lugar depois do concerto dos Coletivo Gira, do drum circle de Hugo Wittmann e do concerto de Farra Fanfarra. Pelo meio, novamente os Jogos do Hélder, workshops de crochet, comidas, bebidas e feira de artesanato e livros.

Foi nessa alegria coletiva de centenas de pessoas que se juntaram este domingo no grande armazém da LXFactory, que a coordenadora do Bloco de Esquerda começou por assinalar que “a política é estarmos juntas, aprendermos juntas, não ter medo do futuro e ter esperança no amanhã que vamos construir em conjunto”, e perguntou “quem tem medo da liberdade?”.

A partir dessa pergunta, a coordenadora bloquista explicou que a vida não fica mais difícil com a liberdade das mulheres, com a presença de imigrantes, porque defendemos direitos humanos. “A extrema-direita fabrica esses mitos”, disse. “O ataque que a extrema-direita faz às mulheres quer convencer-nos de que fomos longe demais e esta luta é inútil”.

Depois, apontou o dedo a quem acha que “devemos guardar o feminismo para datas simbólicas”, mas deixou uma nova pergunta: “acham que vamos recuar?”, sendo interrompida por palmas.

“As mulheres e o feminismo são a força para defender a comunidade e o país, porque estão a defender as suas vidas contra a violência machista, porque estão a lutar por liberdade e não aceitam um passo atrás”, disse a dirigente bloquista. “Se nos atacam, reagimos. Mexeu com uma, mexeu com todas”.

Mariana Mortágua sublinhou ainda que o cuidado que as mulheres prestam está na linha da frente dos ataques que a direita faz ao Estado Social. “Quando querem fazer cortes no Estado Social, sabemos onde esse corte vai tocar. Quando a motosserra atacar os mais pobres, os mais velhos, os doentes, quem é que vai aparecer para cuidar dessas pessoas?”

Dirigindo-se a Luís Montenegro, a coordenadora bloquista afirmou que o farol deste país são “as mulheres que vão trabalhar e chegam a casa e tomam conta dos filhos”. E essa luta, “não é uma luta por privilégio. É a luta de todos e para todos, das urgências dos hospitais às escolas e creches”.

“As mulheres nunca desistiram de sonhar e de pensar que é possível que as suas filhas vivam melhor do que elas viveram”, disse Mariana Mortágua. “Estamos muito gratas a todas as que vieram antes de nós e abriram a luta que fazemos hoje. Queremos que a luta seja sobre construir melhor, uma vida boa para toda a gente”.

O Bloco concorre às eleições para “mudar a vida do país” e para “garantir uma vida boa a todos”. Tem essa luta na sua génese, desde o referendo do aborto à violência doméstica, “estivemos sempre lá”, lembrou. A coordenadora do Bloco de Esquerda concluiu apelando a que as eleitoras e os eleitores “votem pelas mulheres que vieram antes de nós e pelas que estão cá agora, pela igualdade”

“Andamos na rua como a esquerda nunca andou”

Fabian Figueiredo começou a sua intervenção por agradecer aos Farra Fanfarra, que terminaram a sua atuação com o hino antifascista Bella Ciao. Lembrou que o Bloco é a esquerda que luta contra todas discriminações e contra o fascismo, sendo interrompido por cânticos de “25 de abril sempre, fascismo nunca mais”. Sobre a campanha do Bloco de Esquerda, o líder da bancada parlamentar do partido sublinha a importância dos contactos porta a porta, com milhares de portas batidas e centenas de conversas positivas.

“Nós andamos na rua como a esquerda nunca andou. A Mariana acompanha as trabalhadoras de madrugada que põe a economia a funcionar, mostra o país invisível”, disse. “E esta campanha é mesmo sobre isso. Estamos aqui cheios de força e com tanta gente nova, que se filiou no partido durante essa campanha porta a porta. Bem-vindos ao Bloco de Esquerda!”

Ainda em balanço de campanha, o dirigente bloquista defende que o Bloco está a disparar nas redes sociais “não por causa do ódio, mas por causa da esperança”. Por isso, é importante levar as pessoas ao voto no dia 18 de maio, “porque os deputados do Bloco de Esquerda fazem a diferença”.

Os militantes do Bloco de Esquerda “não aceitam o Portugal dos pequeninos que a direita quer impor, querem um Portugal novo”, afirmou Fabian Figueiredo. O caso de Luís Montenegro, que desvalorizou a pobreza dos reformados, é disso exemplo, mas o Bloco de Esquerda quer “lutar por quem trabalha, respeitar quem faz turnos e garantir que uma pequena elite económica que se viciou no rentismo pagam mais impostos e que os restantes possam viver melhor”.

“Sabemos como a vida é difícil e estamos cá para mudar isso”, disse o dirigente bloquista. “Temos ouvido praticamente toda a direita dizer que se taxarmos os milionários, criamos obstáculos ao mérito e à inovação. Então falemos do mérito do povo que acorda cedo todos os dias para por a economia a produzir, com um salário que não dá para a casa. Precisamos de um país que reconheça o mérito de quem trabalha”.

O mérito é de 99,9% da população, essa grande maioria que trabalha para que o país funcione. A poucos dias das eleições, o deputado deixa a garantia de que “vai haver uma surpresa na noite eleitoral” e de que há um povo que está com a esquerda, em todas as suas lutas.

Lembrando a história do partido, de resistência de luta à direita desde o PEC IV à troika, Fabian Figueiredo diz que “vamos fazer a mesma coisa” este ano. E aproveitou para traçar uma linha no chão entre quem apoia o genocídio na Palestina e quem procura soluções e paz, afirmando que “os deputados e dirigentes do Bloco de Esquerda nunca estarão do lado de quem comete o genocídio”.