A Global Sumud Flotilla (GSF) voltou a exigir esta quarta-feira a libertação imediata dos onze ativistas da caravana humanitária que atravessava a Líbia em direção ao Egito quando viu negada a passagem perto de Sirte.
Os ativistas continuam a não ter acesso a apoio de advogados e foram ouvidos pelo procurador de Benghazi na terça-feira, tendo este decidido prolongar a detenção por mais dez dias. Entre eles encontra-se uma cidadã portuguesa, Ana Margarida Baptista, e pessoas de nacionalidade espanhola, argentina, estadunidense, italiana, polaca, uruguaia e tunisina.
Os detidos são um tunisino membro da equipa técnica da caravana que regressava ao seu país a 19 de maio e foi preso e acusado de espionagem, e o grupo de dez pessoas que integravam uma delegação de negociadores com as autoridades e foram detidos a 24 de maio quando se aproximaram do checkpoint. Segundo a GSF, todos foram obrigados a assinar um documento escrito em árabe, que não compreendem, e sem ajuda de qualquer intérprete.
Embora estejam a ser acusados de terem violado os procedimentos de entrada no país, estes ativistas têm vistos válidos e entraram no país legalmente, integrados numa caravana que negociou com as autoridades, através do Crescente Vermelho, a passagem segura pelo território na zona controlada pelo governo local.
O Bloco de Esquerda questionou o ministro dos Negócios Estrangeiros português logo após as notícias da detenção, tendo o Governo informado a imprensa dias depois de que estava a acompanhar a situação e a prestar apoio consular “em estreita coordenação com as autoridades italianas no quadro dos instrumentos de cooperação europeia em matéria consular”.
Em Espanha, o filho da jornalista Alicia Delgado, que faz parte do grupo detido, disse à imprensa que o cônsul espanhol se encontrou com a sua mãe e tem reunido com o procurador de Benghazi e outras autoridades civis e militares para que o processo de libertação aconteça o mais rápido possível. Mas até agora não é conhecida nenhuma acusação formal contra os detidos.