Global Sumud

Ativistas da caravana humanitária para Gaza detidos na Líbia

26 de maio 2026 - 11:50

Entre os dez ativistas está uma cidadã portuguesa. Governo diz estar a acompanhar a situação, de que teve conhecimento pelo menos há seis dias, quando foi questionado pelo Bloco de Esquerda.

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10 ativistas detidos na Líbia
10 ativistas detidos na Líbia. Imagem Global Sumud

A caravana de ajuda humanitária a Gaza por terra, que à semelhança da flotilha também é organizada pela Global Sumud, foi travada antes de conseguir entrar no Egito por forças armadas do Leste da Líbia. A caravana partiu a 15 de maio e inclui sete ambulâncias, 20 autocaravanas e dez camiões com ajuda humanitária. Segundo os organizadores, dez participantes que tentavam conduzir negociações para tentar garantir a passagem dos 200 membros da caravana foram detidos pelas Forças Armadas Árabes Líbias e pelo Governo de Salvação Nacional que controla o Leste do país.

Entre os dez detidos está uma ativista portuguesa, Ana Margarida Baptista, a par de cidadãos da Espanha, Itália, Polónia, Argentina, Uruguai, Tunísia e Estados Unidos. A organização diz que o último contacto com o grupo ocorreu a meio da tarde de domingo e que eles terão sido detidos e acusados de entrarem na zona de segurança sem autorização.

A organização da caravana acusa as autoridades do leste da Líbia de falta de coordenação. “Antes da entrada da delegação, a caravana tentou por duas vezes encetar negociações formais: a primeira tentativa foi recebida com cordialidade e promessas de uma reunião de acompanhamento que nunca se concretizou; a segunda terminou com um oficial militar a ordenar aos delegados da caravana que se retirassem imediatamente. Quando os canais oficiais e os processos internacionalmente reconhecidos se revelaram ineficazes, a caravana dirigiu-se para o posto de passagem para tentar encetar negociações diretas de boa-fé” e acabaram detidos pelas forças armadas que controlam a região.

Na semana passada, o Bloco de Esquerda foi alertado para a situação de risco que representava o impasse, quando a caravana estava bloqueada perto de Sirte, e para a presença de uma cidadã portuguesa no grupo. O deputado Fabian Figueiredo questionou o ministro Paulo Rangel sobre o acompanhamento deste caso por parte do Governo, que o deixou sem resposta.

A primeira declaração pública do Ministério dos Negócios Estrangeiros surgiu esta segunda-feira, para dizer que está a acompanhar a situação e a prestar apoio consular em cooperação com outros estados europeus. Em declarações à TSF, Fabian Figueiredo diz esperar que “o Governo esteja a fazer tudo o que está ao seu alcance para libertar a cidadã portuguesa e para garantir, em conjunto com os restantes Governos, que todos os cidadãos que integravam uma missão humanitária sejam libertados”.