Tal como aconteceu no ano passado após o sequestro dos ativistas da Global Sumud Flotilla em águas internacionais, o ministro da Segurança israelita Itamar Ben-Gvir voltou a protagonizar um momento de propaganda do extremismo sionista nas suas redes sociais, exibindo-se junto dos ativistas forçados a ajoelharem-se pelos militares presentes.
O vídeo publicado nas redes sociais de Ben-Gvir com a mensagem “bem-vindos a Israel” serviu para mostrar ao mundo os maus tratos a que os militares israelitas submeteram os ativistas após a detenção ilegal ao largo do Chipre. Por isso foi imediatamente criticado por colegas de governo como o ministro dos Negócios Estrangeiros Gideon Saar, que organiza a máquina de propaganda que procura identificar os médicos, jornalistas e ativistas como perigosos e violentos apoiantes do terrorismo e os militares israelitas como um exemplo de boas práticas. “[Ben-Gvir] prejudicou intencionalmente o nosso Estado com este espetáculo vergonhoso — e não é a primeira vez”, escreveu o chefe da diplomacia israelita nas redes sociais ao ver as imagens que deitaram por terra a narrativa que o governo tem propagado.
Flotilha humanitária
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O próprio primeiro-ministro Benjamin Netanyahu também tentou circunscrever o tratamento degradante à ação do ministro, dizendo que a sua ação não está “em consonância com os valores de Israel”. Valores que os ativistas sequestrados há duas semanas ao largo da ilha grega de Creta classificaram de tortura e maus-tratos constantes durante o período em que estiveram sob custódia israelita.
"Não são os crimes que os perturbam. O que os perturba é o facto de o mundo ter visto tão claramente a sua depravação", afirmou a coordenação da Global Sumud Flotilla em comunicado. Para os ativistas, “a verdade é simples: se os ministros israelitas se sentem à vontade para publicar vídeos em que civis internacionais, com os olhos vendados, estão ajoelhados no betão enquanto são ridicularizados com cânticos nacionalistas, então o mundo deveria ficar indignado com o que os palestinianos suportam todos os dias, quando as câmaras já se foram embora”.
As reações aos maus-tratos desta quarta-feira saltaram fronteiras, com o governo português a condenar "veementemente o comportamento intolerável do Ministro israelita Ben Gvir e o tratamento infligido aos activistas da flotilha em humilhante violação da dignidade humana”. O Ministério dos Negócios Estrangeiros diz que “se torna ainda mais urgente” a libertação imediata dos cidadãos nacionais que as tropas israelitas levaram para Israel a bordo de um “navio-prisão” destacado para apoiar o ataque à flotilha humanitária.
Apesar da pergunta colocada pelo Bloco de Esquerda esta terça-feira, o governo português continua em silêncio sobre a situação de um cidadão nacional que participa na caravana humanitária para Gaza que se encontra bloqueada perto de Sirte, na Líbia, e sob ameaça das autoridades locais e de grupos armados.
O deputado bloquista Fabian Figueiredo anunciou que o partido irá apresentar um voto de condenação às ações violadoras dos direitos humanos por parte do governo israelita no porto de Ashdod. “Perante este ataque e a tentativa de degradação de ativistas numa missão humanitária, é dever da Assembleia da República expressar a sua condenação”, afirmou.