A conivência da União Europeia com as ações violentas de Israel ficou mais uma vez patente esta segunda-feira, com os militares israelitas a sequestrarem ativistas e intercetarem barcos em águas internacionais que estão dentro da zona de busca e salvamento do Chipre. E ao contrário do que sucedeu há poucas semanas ao largo da ilha grega de Creta, numa operação que contou com a colaboração da marinha grega, desta vez a operação fez-se em pleno dia, prosseguindo ainda esta terça-feira.
Numa carta subscrita por cerca de meia centena de eurodeputados, entre os quais Catarina Martins, e dirigida ao presidente do Conselho Europeu, exige-se que António Costa apela aos Estados Membros da União Europeia que façam tudo o que estiver ao seu alcance para garantir o respeito da lei internacional, garantam a proteção diplomática e apoio consular aos ativistas sequestrados por Israel em águas internacionais e deem as garantias diplomáticas necessárias para que a missão humanitária decorra com segurança.
Flotilha humanitária para Gaza
Dois portugueses sequestrados em novo ataque israelita em águas internacionais
Além da segunda interceção e detenção ilegal de ativistas em poucas semanas por parte de Israel, desta vez em águas internacionais ao largo do Chipre, os eurodeputados dizem-se alarmados pelas declarações de responsáveis israelitas, que têm espalhado a narrativa de que os barcos podem transportar armas e que estas missões humanitárias estão cada vez mais violentas, apesar de nada indicar que assim seja.
“Estas narrativas comprometem a credibilidade e a legitimidade da missão, ao mesmo tempo que colocam os participantes em grande risco, ao criarem uma imagem distorcida que transforma a sua natureza de uma iniciativa humanitária e não violenta numa operação hostil”, escrevem na carta dirigida a António Costa.
Entre os detidos a bordo da flotilha humanitária encontram-se dois médicos portugueses, Beatriz Bartilotti e Gonçalo Reis Dias. O Bloco de Esquerda e a Ordem dos Médicos pressionaram o Governo português após a detenção no sentido de assegurar a proteção dos cidadãos nacionais e condenar o ataque.
O ministro dos Negócios Estrangeiros reconheceu que os médicos foram detidos "em violação da ordem internacional" e convocou o embaixador israelita em Portugal para dar explicações.
Ao final da tarde de segunda-feira, horas depois do sequestro dos médicos, dezenas de pessoas compareceram a uma vigília em frente à Câmara do Porto para exigir a sua libertação.