Trabalhadores alertam para “privatização material” do INEM e redução de meios

18 de maio 2026 - 12:58

Comissão de Trabalhadores do INEM e Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar dizem que as mudanças em curso vão retirar 56 ambulâncias de emergência médica.

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ambulância do INEM
Foto de Paulete Matos.

A criação de uma “pool” de 40 ambulâncias para doentes críticos dos hospitais e para picos de pedidos de ajuda vai corresponder na prática à retirada de 56 ambulâncias de emergência médica do INEM dedicadas a emergência pré-hospitalar, denuncia o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) em comunicado citado pela agência Lusa.

O sindicato diz que as mudanças no INEM divulgadas pelo jornal Sol são "enganadoras e suscetíveis de induzir em erro a opinião pública”, dado que se traduzem “numa redução efetiva dos meios disponíveis para socorrer a população”.

Quanto ao anúncio da colocação de 90 veículos ligeiros nas ruas das cidades para assistir casos mais completos, o STEPH diz que isso corresponde “à manutenção das atuais 44 Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER) e à transformação das 46 ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV) – atualmente com enfermeiro e técnico de emergência – em veículos ligeiros de passageiros”. Ou seja, o número de meios mantém-se, mas perde-se capacidade de transporte de doentes, o que é particularmente grave” nalgumas regiões do país.

Também a Comissão de Trabalhadores do INEM alerta que está em curso a retirada progressiva de competências, diminuição dos meios próprios, fragilização dos profissionais e abertura deliberada de espaço para que entidades privadas ocupem o que o Estado deixa de assegurar.

“Chamar a isto reorganização é insuficiente. Chamar-lhe modernização é abusivo. Na prática, trata-se de uma privatização material sem privatizar juridicamente o INEM”, dizem os trabalhadores do instituto.

Estes alertas seguem-se à carta aberta publicada no Expresso e assinada por quatro ex-presidentes do INEM (Sérgio Janeiro, Luis Meira, Regina Pimentel e Miguel Oliveira) e pelo ex-presidente do Colégio da Competência de Emergência Médica Vítor Almeida. Os subscritores manifestam “preocupações técnicas e operacionais” com as mudanças anunciadas , que dizem contribuir para a “fragmentação” do Sistema Integrado de Emergência Médica.