A lei aprovada em abril na Assembleia da República pelo PSD, Chega e CDS veio proibir o hastear de bandeiras de natureza ideológica, partidária ou associativa em edifícios públicos. Apesar de ainda não estar em vigor, várias autarquias que em anos anteriores hasteavam a bandeira LGBTQIA+ nos seus edifícios para comemorar o Dia Internacional contra a Homofobia, Bifobia e Transfobia decidiram não o fazer este domingo. Algumas escolheram hasteá-la num espaço público junto dos Paços do Concelho, como no Porto e Lisboa, enquanto outras deixaram de assinalar a data.
Em comunicado, o Bloco de Esquerda do Porto condenou a decisão da esmagadora maioria das câmaras municipais e juntas de freguesia do distrito ao optarem por não assinalar esta data, “recusando gestos simbólicos tão importantes como o hastear da bandeira LGBTQIA+”. Para os bloquistas portuenses, “esta ausência representa um sinal político preocupante num contexto em que persistem discursos de ódio, discriminação e violência contra pessoas LGBTQIA+". Na cidade do Porto, apenas a Junta de Freguesia de Campanhã hasteou a bandeira no seu edifício.
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Em resposta, a distrital bloquista decidiu “plantar” em vários espaços públicos do distrito vários "cravos LGBTQIA+" que evocam "simultaneamente os valores de Abril e a luta permanente pelos direitos humanos, pela liberdade e pela dignidade de todas as pessoas, independentemente da sua orientação sexual, identidade e expressão de género".
"Em tempos em que crescem os atropelos aos direitos conquistados e se intensificam discursos de ódio, o Bloco de Esquerda do distrito do Porto apela à participação nas marchas LGBTQIA+ que estão a ser organizadas, em particular no distrito. Mais do que nunca, é tempo de sair à rua em defesa da liberdade, da igualdade e de uma sociedade onde todas as pessoas possam viver com dignidade, segurança e sem preconceito", termina o comunicado.
Noutros pontos do país também houve ações simbólicas de protesto contra as autarquias que não hastearam a bandeira arco-íris nos seus edifícios neste dia. Em Lisboa, algumas dezenas de pessoas juntaram-se no Largo do Município contra a decisão de Carlos Moedas de colocar a bandeira numa zona lateral do largo, enquanto em várias freguesias onde a direita não tem maioria a bandeira tenha sido hasteada. Em Viseu, onde o novo executivo PS também não assinalou a data com o hastear da bandeira, a Plataforma Já Marchavas promoveu um hastear simbólico da bandeira LGBTQIA+ em frente à Câmara Municipal.