Lutas

Milhares de professores nas ruas, Fenprof adere à greve geral

16 de maio 2026 - 18:43

Manifestação em Lisboa voltou a exigir a valorização da profissão docente e o respeito pela escola pública, contestando a proposta do Governo para a revisão do Estatuto da Carreira Docente que agrava a instabilidade e a dificuldade em fixar docentes.

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Manifestação da Fenprof em Lisboa
Manifestação da Fenprof em Lisboa. Foto de Jorge Humberto Nogueira

A Fenprof anunciou este sábado que vai aderir à greve geral de 3 de junho pela retirada do pacote laboral que o Governo aprovou esta semana em Conselho de Ministros e que pretende levar ao Parlamento.

José Feliciano da Costa, um dos secretários-gerais da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), explicou no início da concentração que os professores estão nas ruas mobilizados contra a revisão do Estatuto da Carreira Docente, mas também contra o pacote laboral.

O processo de revisão do Estatuto da Carreira Docente está em fase negocial e a Fenprof irá na próxima semana levar as suas propostas sobre o modelo de recrutamento e colocação de docentes, considerando que a proposta do Governo “não dá quaisquer garantias de combate à instabilidade, à precariedade e às dificuldades de fixação de docentes, podendo, mesmo, agravá-las, defendendo soluções que assegurem transparência, justiça, valorização da profissão e estabilidade das comunidades educativas”.

Manifestação da Fenprof em Lisboa
Manifestação da Fenprof em Lisboa. Foto de Jorge Humberto Nogueira

“Resposta do Governo aos professores tem sido propaganda e marketing”

Presente na manifestação organizada pela Fenprof, o deputado bloquista Fabian Figueiredo defendeu que só o fim da precariedade, a valorização da carreira e os salários dignos podem convencer os jovens de que vale a pena ser professor e assim colmatar a falta de docentes na escola pública.

“Os professores estão cheios de razão. Este ano letivo começou com 8 em cada 10 escolas com falta de professores, semanalmente há 40 mil alunos a quem falta pelo menos um professor a uma disciplina”, afirmou o deputado do Bloco, contrapondo que “a resposta do Governo tem sido propaganda e marketing”.

Para resolver o problema da falta de professores, prosseguiu Fabian Figueiredo, “precisamos de acabar com a precariedade, valorizar a carreira docente e ter salários dignos”, pois só assim se conseguirá “ganhar a juventude portuguesa para a escola pública, convencê-los de que vale a pena tirar cursos com vertente de ensino”.

O deputado bloquista defendeu uma “mobilização nacional para encher a escola pública com novos professores” e chamou a atenção para o desgaste que as políticas vigentes têm provocado na vida do docentes, com impacto na saúde mental e no aumento dos casos de burnout. “Nós não conseguimos preparar as nossas crianças e os nossos jovens para os desafios do futuro se não tivermos professores motivados”, concluiu.