Flotilha humanitária para Gaza

Dois portugueses sequestrados em novo ataque israelita em águas internacionais

18 de maio 2026 - 11:03

54 embarcações da flotilha humanitária estão a ser cercadas e intercetadas a 250 milhas náuticas de Gaza, perto de Chipre. Dois portugueses a bordo de um dos barcos foram sequestrados por Israel. Bloco pressiona Rangel para exigir libertação.

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Comando israelita aponta arma aos voluntários da flotilha humanitária durante o assalto ilegal
Comando israelita aponta arma aos voluntários da flotilha humanitária durante o assalto ilegal. Imagem Global Sumud Flotilla

Semanas após terem intercetado mais de duas dezenas de embarcações da Global Sumud Flotilla ao largo da ilha grega de Creta, prendendo ilegalmente 181 pessoas, os militares israelitas desencadearam esta segunda-feira uma operação em pleno dia para deter as 54 embarcações que se reagruparam na Turquia e partiram há quatro dias do porto de Marmaris.

Num dos barcos intercetados, o Tenaz, há um cidadão britânico, dois espanhóis e dois portugueses a bordo: Beatriz Bartilotti e Gonçalo Reis Dias, informa a Gaza Freedom Flotilla, que apela ao contacto urgente com as autoridades destes países para exigirem a sua libertação imediata.

A operação desta segunda-feira segue-se a uma semana de intensificação da propaganda do regime de Netanyahu contra a flotilha, numa tentativa de justificar mais um crime cometido em águas internacionais.

Bloco pressiona Rangel para exigir libertação e condenar violação do direito internacional

Numa pergunta dirigida ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, o deputado bloquista Fabian Figueiredo quer saber quando vai o Governo “exigir formalmente de Israel a libertação imediata e incondicional de todos os cidadãos detidos nesta interceção, em particular dos cidadãos portugueses, e o seu regresso em segurança”.

O Bloco de Esquerda defende que o Governo deve convocar com  urgência o Embaixador de Israel em Portugal “para prestar esclarecimentos e para lhe ser transmitido um protesto formal do Estado português pela interceção de embarcações civis em águas internacionais”.

Tendo em conta as torturas e maus tratos a que foram sujeitos os detidos na flotilha no final de abril, Fabian Figueiredo requer ao Governo que exija “garantias quanto ao tratamento digno dos detidos e apoiar a abertura de uma investigação internacional independente aos factos ocorridos nas três interceções da Flotilha Global Sumud”, bem como que condene  “pública e formalmente esta interceção como violação do direito internacional”.

Caravana por terra bloqueada na Líbia sob pressão do Egito

A outra iniciativa da flotilha faz-se por terra, com uma caravana de ajuda humanitária para Gaza que inclui sete ambulâncias especializadas e 20 habitações móveis. Esta caravana foi travada perto da cidade líbia de Sirte por razões de segurança. No ano passado, uma missão semelhante foi impedida de entrar no Egito, com as forças da autoridade e grupos armados do Leste da Líbia a bloquear e deter os participantes. Desta vez, os membros da caravana foram informados que os mesmos grupos os esperavam em Sirte para os atacar, sob pressão política do Egito.

“O facto de os ataques terem visado consecutivamente tanto a componente marítima como a terrestre da missão deixa claro que o cerco ilegal a Gaza se transformou numa estrutura global de violência, ocupação e impunidade generalizada. Isto representa uma projeção extraterritorial da doutrina do «Grande Israel», que recorre à influência política por intermédio de terceiros e à força militar para além das fronteiras internacionais soberanas, com o objetivo de esmagar o apoio da sociedade civil à Palestina”, afirma a Global Sumud Flotilla em comunicado.