À porta da Jerónimo Martins, Pureza denunciou “as duas faces da crise do custo de vida”

08 de junho 2026 - 19:29

De um lado a aflição de quem ganha pouco, do outro os lucros obscenos da grande distribuição: Bloco de Esquerda fez ação de denúncia à porta do grupo onde o CEO ganha 226 vezes mais do que quem lá trabalha.

PARTILHAR
Ação do Bloco à porta da Jerónimo Martins
Ação do Bloco à porta da Jerónimo Martins. Foto Esquerda.net

José Manuel Pureza esteve esta segunda-feira ao final da tarde à porta da sede do grupo Jerónimo Martins, o dono da cadeia de supermercados Pingo Doce. Com cartazes a mostrar o quanto subiu o preço dos alimentos e uma enorme fatura com as contas da despesa mensal básica de quem vive trabalha em Portugal, o Bloco de Esquerda “traz esta questão para o centro do debate público para que as pessoas percebam que esta é a questão essencial das suas vidas, e toda a gente sabe que é assim”, afirmou José Manuel Pureza aos jornalistas, deixando o aviso: “o Governo que se prepare para uma indignação crescente”.

O coordenador bloquista sublinhou que “a crise do custo de vida tem duas faces: a da aflição e a da obscenidade dos lucros”. De um lado a face de quem com baixos salários tem cada vez mais dificuldade em esticar o rendimento até ao fim do mês para pagar bens essenciais; e do outro a face dos “646 milhões de euros de lucro de um grupo dominante na grande distribuição da alimentação, à semelhança de outros grupos com lucros obscenos”. No caso da Jerónimo Martins, “o CEO ganha 226 vezes mais do que um trabalhador dessa empresa”, lembrou.

A conclusão é que “há uma enorme maioria no país que está a ser esmifrada por causa da acumulação de lucros destas empresas” e por isso o Bloco de Esquerda continua a insistir em “duas alternativas justas e razoáveis”: o controlo dos preços dos bens essenciais e um imposto sobre os lucros excessivos.

Questionado pelos jornalistas se os meses que se passaram desde que o Conselho de Ministros prometeu tomar medidas para conter o aumento dos preços, logo no início dos ataques ao Irão, não significa que o Governo está a contar com a “anestesia” da população face ao prolongamento da situação, Pureza respondeu que “o Governo joga na anestesia das pessoas a propósito da guerra e do custo de vida, mas também relação ao pacote laboral”.

PSU: “Proposta do Governo é cruel e tem elementos tirados da agenda do Chega”

O coordenador do Bloco de Esquerda foi também questionado sobre a proposta do Governo para uma Prestação Social Única, considerando-a “cruel” e com elementos “tirados da agenda do Chega”.

“Em ternos de crueldade social, o Governo faz sua a bandeira da extrema-direita: no trabalho gratuito de pessoas que têm prestações sociais ou no sistema de hipervigilância discricionária sobre titulares de prestações sociais, que é uma velha rábula da direita”, prosseguiu Pureza.

Da parte do Bloco de Esquerda, “não está em causa haver uma prestação social única”, garantiu, mas sim “o alcance e o nivelamento dessa prestação, pois a estratégia do Governo é nivelar por baixo, eliminar o benefício de muitas pessoas em relação a essa prestação e estabelecer mecanismos de policiamento completamente absurdos” a que o Bloco se irá opor quando o decreto for discutido no Parlamento.