Legislativas 2025

Mariana com Ana Drago: Bloco “responde aos grandes desafios do futuro”

13 de maio 2025 - 19:55

Ana Drago junta-se à coordenadora do Bloco de Esquerda num encontro sobre habitação e diz que Bloco responde à "crise de futuro" que a sociedade portuguesa atravessa. Mariana Mortágua afirma que é preciso “convocar todos” contra a “política do ódio”.

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Mariana Mortágua e Ana Drago
Mariana Mortágua com Ana Drago. Fotografia de Gabriela Carvalho.

Uma, duas, três, perde-se a conta às fotografias que a coordenadora do Bloco de Esquerda tira com estudantes na esplanada da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. O partido organizou uma sessão para que Mariana Mortágua possa ouvir e falar com estudantes da faculdade, e a plateia está a abarrotar.

Mariana Mortágua chega ao campus da Avenida de Berna onde se encontra com Ana Drago, socióloga e ex-deputada do Bloco de Esquerda. Aos jornalistas, a dirigente bloquista volta a salientar que é preciso “convocar todos” contra a “política do ódio” e a visita à faculdade faz parte dessa ideia de luta pela democracia.

“Estamos aqui para falar do problema que mais afeta os jovens, que é a habitação, e também por isso convidámos a Ana Drago”, diz. “Vemos o número de pessoas que cada vez mais é empurrada para a rua, mas isso também é um problema de jovens, porque não conseguem pagar as rendas”.

Mariana Mortágua e Ana Drago
Fotografia de Gabriela Carvalho.

Contra esse problema, a dirigente bloquista afirma que “a única forma de garantir o futuro às novas gerações é resolver o problema da habitação”. A luta contra as propinas, que é uma “questão de princípio” é também mencionado por Mariana Mortágua, que diz que o ensino superior deve ser gratuito. No entanto, explica que o principal entrave no acesso ao ensino superior é mesmo a habitação.

Questionada sobre a fragmentação da esquerda, a coordenadora do Bloco de Esquerda sublinha que “a esquerda já mostrou no passado que se sabe unir em torno de propostas e programas concretos”. Por isso, “é preciso que haja um programa, não basta querer ir para o governo”. O voto no Bloco de Esquerda é “garantir que a habitação estará no parlamento”.

Ana Drago concorda com Mariana Mortágua, e diz que “olhando para aquilo que é o panorama das várias propostas no campo da esquerda”, o Bloco “estruturou um programa que responde aos grandes desafios do futuro”. E é disso “que se trata esta campanha”.

“O Bloco tem propostas sobre aquilo que me parece hoje o maior desafio, que é: como é que se diz hoje aos jovens que estão aqui a estudar que para a frente terão um emprego que lhes permite estruturar a vida e os seus sonhos, e como é que temos acesso a viver nos sítios onde temos trabalho”, diz a socióloga.

O empobrecimento dos mais jovens e a incapacidade de ganharem independência face à família são temas importantes para o futuro, defende Ana Drago, que diz que “há uma crise de futuro”, e que o Bloco “tentou responder com um programa consistente que traz questões importantes”.

A ex-deputada pelo Bloco de Esquerda salienta que “alguma coisa tem de ser feita” e que não basta prometer que se constroem mais casas. “Isso não é resposta nenhuma”, afirma. “Em cada campanha eu acho que o Bloco se atira com toda a força e todos os trunfos que tem, e acho que isso é positivo para a democracia”.

Mariana ouve jovens sobre problemas dos estudantes

A sessão com estudantes começou com uma discussão sobre a crise de habitação que é “um problema transversal” à sociedade portuguesa. “Passou de ser uma cena um bocado chata e acabou a ser um inferno”, diz Mariana Mortágua.

“É provavelmente uma das coisas que mais nos tira perspetivas de futuro, e há uma angústia de não saberes como te resolver. Não sabemos se há casa e há um problema de mercado”, sublinha a dirigente bloquista, que aponta aos fatores que aumentam o preço da habitação: o Alojamento Local, os fundos de investimento, e os senhorios que cobram rendas especulativas. “Parece um leilão”.

Depois, é a vez de a "resposta" da direita sobre mais construção ser desmontada. Contra a narrativa de que “estamos a construir” mais casas para resolver o problema, Mariana Mortágua diz que “estão a construir desde que vocês começaram o curso e quando vocês acabarem ainda não vão estar construídas”.

Aproveitando as centenas de estudantes que estavam na esplanada a participar na sessão, a dirigente bloquista faz um questionário em tempo real, perguntando quem é estudante deslocado: a maioria. Quem aluga quarto: a maioria. E quem paga mais de 300€: a maioria.

Abrindo o microfone ao público, há tempo para perguntas e testemunhos sobre experiências enquanto estudantes imigrantes, conteúdos de redes sociais, tetos às rendas e crise climática. Questionada sobre metas climáticas por ativistas do Fim ao Fóssil, a coordenadora do Bloco de Esquerda reforça o compromisso do partido com a transição climática, explicando que o programa do partido foi construído a partir da transição climática.

“Não é pelo Bloco de Esquerda que não se atinge a neutralidade carbónica até 2030”, diz, até porque o partido “reconhece a ligação entre o capitalismo e a crise climática”. Nesse sentido, afirmar metas vagas mais do que medidas concretas acaba por cair num “vazio”.

Já sobre a medida dos tetos às rendas, Mariana Mortágua deixa a observação de que “está a avançar a ideia de que nós podemos fazer política sem conflito”. Só que isso “é enganar as pessoas”. No fundo, os tetos às rendas são uma medida que disputa uma ideia sobre para que servem as casas, se para cumprir a sua função social ou a sua função especulativa.

“O setor imobiliário ataca-nos” no sentido em que o partido coloca a função social da habitação acima das funções especulativas. Já os outros partidos não o fazem. “A direita defende a isenção do IMT, mas o problema não é o IMT, são os 500 mil euros que custa comprar uma casa”, diz.

Quando a sessão acaba oficialmente, nem por isso acaba na prática. Dezenas de pessoas juntam-se em círculo à volta da coordenadora para lhe fazer perguntas ou deixar comentários. É a resposta à “crise do futuro”, como dizia Ana Drago, que faz as pessoas juntarem-se ao projeto.