Resposta à catástrofe

Apoios anunciados pelo Governo “só podem ser um ponto de partida”

01 de fevereiro 2026 - 21:52

Bloco de Esquerda defende a mobilização de todos os mecanismos europeus e de todos os meios da proteção civil e Forças Armadas, além de medidas antiespeculação dos preços de materiais de construção e de emergência.

PARTILHAR
Pessoas transportam telhas na Marinha Grande
Muitas pessoas acorreram aos armazéns municipais da Marinha Grande em busca de telhas para as suas casas. Foto de Carlos Barroso/Lusa

Em conferência de imprensa este domingo em Coimbra, o coordenador do Bloco de Esquerda reagiu às medidas anunciadas pelo primeiro-ministro no final da reunião do Conselho de Ministros.

Entre os apoios anunciados pelo Governo, está o pagamento até 537 euros por pessoa ou 1.075 euros por agregado, destinado às famílias afetadas que estejam em “situação de carência ou perda de rendimentos”. Para José Manuel Pureza, “fica claro para qualquer pessoa que mil euros não darão sequer para reparar o telhado da casa”.

“Este é um momento de emergência nacional. As pessoas não podem continuar a sentir que o Estado as abandonou. Os apoios agora enunciados só podem ser, portanto, um ponto de partida. À medida que o levantamento dos danos se tornar mais preciso, o Governo terá de os reforçar”, afirmou o coordenador do Bloco de Esquerda.

Sobre as anunciadas moratórias e isenções fiscais, Pureza afirma que elas “remetem para o médio prazo e não respondem à emergência”. E estranhou a ausência de “medidas de atuação direta” ou de “garantias sobre o restabelecimento da normalidade das infraestruturas” por parte de Luís Montenegro.

Quanto às afirmação do primeiro-ministro de que “foi feito tudo aquilo que era possível”, José Manuel Pureza classifica-a como “uma profunda falta de respeito para com os portugueses que ficavam desprotegidos”.

“Leitão Amaro e Nuno Melo são a representação trágica da resposta deste Governo à maior catástrofe natural dos nossos tempos. Não é aceitável que, perante alertas científicos e meteorológicos, a resposta do Estado seja a ausência de comando e encenação mediática”, criticou, referindo-se aos vídeos gravados para as redes sociais.

Face aos apoios “insuficientes” anunciados este domingo, o Bloco defende a imediata “mobilização integral de todos os mecanismos europeus” de apoio às vítimas da tempestade, pois “nenhum recurso pode ficar por utilizar por falta de iniciativa diplomática ou agilidade administrativa de Bruxelas”.

Em segundo lugar, o Governo “tem a obrigação de implementar medidas antiespeculação rigorosas”, prosseguiu Pureza, defendendo que “é imperativo controlar os preços e fixar margens máximas de comercialização para materiais de construção, geradores e equipamentos de emergência”, pelo que a ASAE e outros reguladores devem estar no terreno a fazer essa fiscalização.

Em terceiro lugar, o país “precisa de saber que todos os meios de proteção civil e das Forças Armadas estão ao serviço das operações de reconstrução, de socorro e de limpeza”, concluiu. 

Termos relacionados: Política