Resposta à catástrofe

“Mais do que vídeos nas redes sociais, as pessoas precisam de apoios concretos”

31 de janeiro 2026 - 18:49

A Mesa Nacional do Bloco de Esquerda reuniu este sábado. José Manuel Pureza defende que o Governo deve assumir responsabilidades e aprovar apoios concretos e imediatos às comunidades mais afetadas pela depressão Kristin.

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José Manuel Pureza.
José Manuel Pureza. Foto de Rafael Medeiros.

No final da reunião da direção bloquista (ler resolução política aprovada), o coordenador do partido falou aos jornalistas para transmitir palavras de “solidariedade e ânimo para os familiares das vítimas destas catástrofes e para quem ficou com a sua vida prejudicada” e também uma palavra de “respeito” dirigida aos serviços de proteção civil e as mobilizações que se estão a organizar para dar resposta a esta urgência.

José Manuel Pureza elogiou “a importância dos gestos de solidariedade e empatia das populações afetadas pela tempestade” e diz que foram esses gestos de solidariedade e empatia “que faltaram ao Governo” nos últimos dias.

“O Governo sabia, como todos sabíamos, da gravidade extrema da tempestade, mas não encarou esses alertas com a seriedade e capacidade de resposta que um Governo competente deveria ter”, prosseguiu o coordenador do Bloco, recordando a “campanha sistemática” do PSD na última década de denúncia do que chamou de falhas do Estado. “Agora isso abate-se totalmente sobre o Governo do PSD e do CDS. Trata-se claramente de uma falha brutal com consequências gravíssimas para os territórios”, acrescentou.

E neste contexto, “os vídeos para as redes sociais ou a desculpa de que se trabalha no recato da invisibilidade não valem de nada”, defendeu Pureza, criticando também a estratégia de Luís Montenegro de “remeter a reparação das pessoas prejudicadas por esta calamidade para a esfera privada de cada um”, através do elogio das companhias de seguros “como se não houvesse lugar acima de tudo a uma resposta pública e governamental para as vítimas e as comunidades”, que até agora não foi “minimamente satisfatória”.

Por esta razão, o Bloco de Esquerda defende que “do Conselho de Ministros de amanhã a primeira coisa que tem de resultar são apoios muito concretos e imediatos às comunidades mais afetadas por esta calamidade. Isto num contexto de uma assunção de responsabilidades por parte do Governo. Mais do que vídeos nas redes sociais, as pessoas precisam de apoios concretos”.

Pureza deixou ainda uma palavra sobre a responsabilidade dos operadores privados na demora da reposição dos serviços essenciais e dos circuitos de distribuição de alimentos. “A tempestade foi de uma dimensão muito grande mas ainda assim a capacidade de reposição por parte dos operadores privados está a tardar demais para a vida de muita gente”, apontou.

Sociedade deve ser mobilizada para “um debate sério sobre as alterações climáticas”

Questionado pelos jornalistas sobre a posição do Bloco acerca da sugestão do Presidente da República para que o seja formada uma Comissão Técnica Independente, à semelhança do que foi feito após os incêndios de 2017, José Manuel Pureza respondeu que essa comissão deve servir para apurar responsabilidades, pois “o país precisa de conhecer a forma como o Governo encarou as informações que estavam disponíveis sobre o que iria acontecer” Mas acrescentou que esse apuramento de responsabilidades “servirá de pouco se não significar uma correção muito clara das políticas para o território e as comunidades”.

É neste âmbito que o Bloco defende a importância de “mobilizar toda a sociedade portuguesa para um debate sério sobre as alterações climáticas, os seus efeitos, o modelo económico-social que acentua os seus efeitos, e fazê-lo sem nenhum tipo de negacionismo”, referindo-se à proposta da Iniciativa Liberal de “apagar da lei a figura da emergência climática para se criar a convicção de que o mercado resolverá todos os nossos problemas, incluindo o das alterações climáticas”, o que “é mistificar a realidade e contribuir para que a sociedade fique mais fragilizada”.

“É agora que se previnem situações destas que vão ocorrer inevitavelmente num futuro mais ou menos próximos. Ninguém compreende que o país volte a fazer o mesmo que fez depois dos incêndios florestais ou do apagão, em que passada a onda emocional imediata, tudo se mantenha como se nada tivesse acontecido”, concluiu Pureza, insistindo na necessidade de serem feitos os “investimentos na qualificação dos territórios e no reforço dos serviços não só de proteção civil, mas dos serviços que são capazes de dar resposta às pessoas”.
 

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