Prestação Social Única

Desvalorização do trabalho social indigna trabalhadores do setor

02 de junho 2026 - 11:16

“O trabalho social é um trabalho altamente especializado e não deve servir como uma pena para quem está em situação de pobreza”, defende o STSSSS em resposta à intenção do Governo de obrigar beneficiários de prestações sociais a fazerem trabalho social.

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trabalhadora numa Estrutura Residencial para Pessoas Idosas
Foto de Paulete Matos.

O Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Solidariedade e Segurança Social veio a público contestar a intenção go Governo de criar uma Prestação Social Única que junta 13 prestações e obriga os beneficiários à prestação de 15 horas semanais de trabalho social.

“Não podemos deixar de nos indignar da forma como o Governo fez entrar à socapa para votação um documento desta importância, e sem ouvir especialistas, atores relevantes, as principais Associações de combate à pobreza, as Instituições de Solidariedade Social e os Sindicatos representativos do Sector Social”, afirma o STSSSS, acrescentando que a iniciativa do Governo é um “sinal de total desrespeito pelas pessoas em situação de pobreza e de todos os que todos os dias lutam e trabalham pela sua erradicação”.

A imposição do trabalho social “denota um total desconhecimento da realidade do setor e ao mesmo tempo um aprofundamento da desvalorização dos seus trabalhadores já patente na baixa contribuição do Estado para as instituições que se vem a refletir nos mais baixos salários pagos em toda a economia portuguesa”, acrescenta o sindicato.

Ao transmitir a ideia de que o trabalho desenvolvido pelos trabalhadores das instituições pode ser feito por qualquer um, o Governo mostra desconhecer não apenas “a prática do dia a dia”, mas também o passado recente, lembra o STSSSS. Durante a pandemia do covid a tentativa de “reconduzir trabalhadores sem condições ou formação para laborar nas estruturas residenciais” provou-se um fracasso.

“Hoje como então, o que Luís Montenegro e o governo pretendem na realidade é desvalorizar os elevados níveis de formação e competência que tem atualmente esta classe profissional, como se de trabalhadores indiferenciados se tratasse”, conclui o sindicato, afirmando que “o trabalho social é um trabalho altamente especializado e não deve servir como uma pena para quem está em situação de pobreza”.