A coordenadora do Bloco de Esquerda visitou esta segunda-feira o Forte de Peniche acompanhada de Fernando Rosas. Mariana Mortágua e o fundador e cabeça-de-lista pelo partido ao círculo eleitoral de Leiria deixaram cravos no memorial aos presos políticos, onde Rosas tem o seu nome inscrito por ter passado um ano ali encarcerado durante a ditadura.
“O Bloco representa a liberdade e um país que luta pela democracia”, disse Mariana Mortágua, que afirmou que o partido compreende que vivemos num momento de avanço da extrema-direita. “Chamámos a geração que fez o 25 de Abril, que esteve presa aqui e que tem memória do que foi o fascismo, mas trazemos também a geração que hoje é muito jovem e desce a Avenida da Liberdade porque não quer deixar cair essa luta”.
A visita ao Forte de Peniche, agora transformado em Museu Nacional Resistência e Liberdade, foi precisamente uma forma de assinalar o encontro entre diferentes gerações que, em Portugal, se mobilizam pela liberdade. O objetivo do Bloco de Esquerda é “trazer essa força para as eleições”.
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Contra o projeto da direita, Mariana perguntou “quem tem medo da liberdade?”
Quem nasceu depois do 25 de Abril vê agora a extrema-direita com deputados na Assembleia da República, mas “nem por isso é mais sombrio”. Há “jovens muito jovens” que têm uma compreensão sobre as ameaças à democracia e que “perceberam tudo o que se passa” e que estão prontos a lutar pela democracia. “O Bloco de Esquerda é isso”, disse a dirigente bloquista.
Para Mariana Mortágua, “mais do que a memória, é importante olhar para o presente e o futuro e conseguir fazer uma luta pela liberdade. A memória transmite-nos a coragem de milhares e milhares de homens e mulheres que lutavam porque sabiam que era possível”.
A participação de Fernando Rosas, Luís Fazenda e Francisco Louçã como cabeças-de-lista do Bloco de Esquerda para as eleições de 18 de maio é, por isso, uma mensagem a toda a gente que tem receio do avanço da extrema-direita, de que o partido convoca “todas as gerações” para combater quem ataca a democracia.
“Nós não combatemos a extrema-direita para preservar a liberdade do 25 de Abril. Nós combatemos a extrema-direita para preservar a liberdade de hoje”, disse a dirigente bloquista. “E temos encontrado muitos jovens nesse caminho, que percebem que a sua liberdade está em risco, sobretudo jovens mulheres, que sabem o que significa a ameaça da extrema-direita”.
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”O ser humano é maior do que a morte”
Fernando Rosas aproveitou a visita ao Forte para explicar a sua história enquanto prisão política gerida pela PIDE. Pela prisão masculina passaram milhares de presos políticos socialistas, anarquistas e comunistas que lutaram contra a ditadura. O fundador do Bloco de Esquerda esteve preso cerca de um ano, tendo sido libertado poucos dias depois do assassinato de José Ribeiro Santos.
“Esta cadeia tem uma grande remodelação no início dos anos 50, considerada de alta segurança, de onde era suposto ninguém fugir e com um regime prisional absolutamente sinistro, de matar a resistência”, explicou o historiador e candidato do Bloco de Esquerda.
Não eram permitidas conversas, as visitas de familiares podiam ser interrompidas e com qualquer sinal de protesto os prisioneiros iam parar ao “Segredo”, que era uma cela disciplinar dos prisioneiros.
Segundo Rosas, a história “ensina-nos que o ser humano é maior do que a morte, do que a violência e do que a repressão, sobretudo quando é guiado por um espírito de liberdade e de justiça. É o exemplo destes homens” que lutaram e venceram a ditadura. “É esse o espírito que está presente neste momento em Portugal, e serve para vencermos o neofascismo que por aí está na Europa”.
O ano passado, o museu teve 100.000 visitantes, o que significa que “é uma memória muito viva cinquenta anos depois da revolução”. Isso não é “um suspiro de nostalgia sobre o passado”, é uma forma de encontrarmos no passado lições para o presente, prosseguiu.
À entrada do museu, há uma placa comemorativa dos 50 anos da revolução de Abril, com uma citação de A. Vicente Campinas onde se lê: “Aos presos nunca faltam asas”. A luta contra a ditadura foi mesmo essa ânsia pela liberdade, e é esse o sentimento que o Bloco de Esquerda traz à campanha eleitoral.