O sistema-mundo carece de um novo compromisso com a Declaração do Direitos Humanos da ONU e com o respeito pelo direito internacional. A atual desordem mundial parece ser apenas capaz de somar mais desordem.
Meteu-se o “Observador” pelos misteriosos caminhos da religião, emboscando alguns eclesiásticos sobre as suas convicções. Desencadeou-se uma tempestade.
Derrotar a extrema-direita requer novas narrativas de identidade colectiva que abarquem o pluralismo. Novas políticas que reintroduzam os direitos sociais onde a austeridade cavou mais fundo e a cultura humanista apoiada em colectivos não amedrontados.
Conhecer os grandes devedores que colocaram em risco, não só os bancos de que muitas vezes eram acionistas, mas as maiores empresas do país, é um requisito básico de transparência.
Apesar da época bastante propícia a dormências, há quem não admita passar o Natal sem uma boa polémica, numa espécie de surto que abale as frutas cristalizadas e aqueça o réveillon para o ano que aí vem.
A recente Diretiva Europeia dos Direitos de Autor, que se encontra ainda em discussão, e em particular o seu Artigo 13.º, é o problema. A realidade dá razão à superstição: o número 13 traz mesmo azar.
É nesta inércia de vergonha, amoral e de desorientação que vegeta o partido político cujo líder tem por maior bandeira a ética, mas que está há meses entretido com questões internas.
O interesse jornalístico por estes fenómenos - é uma coisa. Outra é o que aconteceu na sexta-feira, ao longo do dia, e foi completamente disparatado e até grave.
Um estudo do INE sobre o risco de pobreza constata que, a nível nacional, se inverteu o crescimento da taxa de risco. No que diz respeito aos Açores, o estudo confirma que esta taxa é a maior do país.
A tentativa de apropriação do descontentamento por parte da extrema-direita portuguesa é um facto e não matéria de opinião. Isso não é uma novidade, mas é preocupante.
O estado catatónico da direita orgânica deixa espaço para que a direita inorgânica se solte e para que isso alimente estratégias, por enquanto subterrâneas, de ganho de hegemonia da extrema direita nesse campo.