Levado aos ombros pela ilusão europeia, Macron tornou-se o elo mais fraco. Em Paris está a exibir-se a morte da promessa da globalização feliz, perante um povo que descobriu que só lhe sobra a vida triste.
Pode ser mortal a noção de que a última e derradeira esperança para o renascimento do PSD radica num líder condenado a perder eleições, gozando da bonomia de António Costa.
Lembro-me bem de 2012 e 2013. Foram anos de grande contestação e de muitas e duras greves, tanto no setor público como no privado. Na altura estava em causa a defesa dos direitos mais básicos.
Macron, que surfou a onda do descrédito dos partidos políticos para chegar ao poder, está agora a ser engolido pela afronta da sua agenda ultraliberal e a provar o mesmo veneno.
O movimento dos coletes amarelos em França é um movimento de revolta colectiva contra a classe dirigente incarnada por Macron por parte de uma franja da população que se sente injustiçada por aquela.
É preciso pôr de parte o conforto fácil da demagogia ou do egoísmo civilizacional que entoa cânticos em honra das democracias liberais e do capitalismo humanitário.
A vitória em Setúbal tem um alcance que vai para além das famílias que, com este acordo, poderão ter finalmente uma vida melhor. Mostra-nos a todos e a todas que é possível lutar, mesmo nas condições de maior fragilidade.
O combate à extrema-direita só pode fazer-se anulando as condições que a tornaram atraente. Toda a esquerda deverá ser desafiada para este programa de emergência.
Quando olhamos para a Margem Sul entendemos que a existência de uma rede de transportes públicos baratose de qualidade é uma questão de democracia. Para que as duas margens não sejam dois países.
A Fidelidade vendeu os prédios que detinha com um objetivo agora claro: capitalizar-se e apostar num negócio de milhões em habitação de luxo e escritórios em Lisboa.