António Lima

António Lima

Deputado do Bloco de Esquerda na Assembleia Regional dos Açores e Coordenador regional do Bloco/Açores

Na semana passada, foi aprovada por unanimidade a proposta do Bloco para a constituição de um Grupo de Trabalho para a criação do Centro Académico (CAC) dos Açores. A proposta surgiu depois de um alerta sério da Reitora da UAc: o processo de criação do CAC estava na estaca zero.

E como se chega aqui? Pela ausência de uma política de saúde orientada para as necessidades das pessoas e para o futuro do SRS; por serviços a funcionar à custa do desgaste extremo de quem lá trabalha; e pela precariedade a regressar em força, pela porta do cavalo.

Não podemos assistir de braços cruzados. É urgente regular o turismo, limitar o crescimento do Alojamento Local, converter parte dessa oferta em habitação acessível através de subarrendamento público, garantir acessibilidades aéreas estáveis e ordenar e regular o setor do turismo.

Vangloriar-se da utilização dos Açores como instrumento da guerra imperialista de Trump, como fez o Presidente do Governo Regional, constitui uma cumplicidade consciente que ignora as consequências terríveis da guerra.

Para sair de um beco sem saída, a única solução é recuar. É preciso fazê-lo já e reabrir a negociação com a TAP, como propusemos em 2020. Só não será possível se Bolieiro e Montenegro não quiserem.

Quando um governante desvaloriza a autodeterminação de um povo, relativiza também a nossa e, neste caso, abre uma perigosa linha de argumentação para a expansão do império ao nosso próprio território.

Como em tantos momentos da história, cabe a quem não recua perante o avanço dos inimigos da democracia construir a força que os irá travar. Na segunda volta, e na luta diária por uma sociedade mais justa e solidária, secaremos a fonte que alimenta o ressentimento e o ódio.

Uma democracia não sobrevive se os votos forem sempre no mal menor. A esperança num país melhor, com uma Presidente que cuida da democracia, constrói-se quando o voto é nas ideias e nas pessoas em que acreditamos. E eu acredito na Catarina e nas suas ideias.

É preciso agir. Criar medidas de emergência, garantir um teto para todos, definir uma estratégia clara e dar recursos às entidades que conhecem estas pessoas e trabalham no terreno.

O Governo PSD/CDS/PPM dos Açores assume que estes dados são uma fatalidade, porque sabe que são consequência da sua política, ao propor uma redução da idade da reforma com base neles. Até o seu novo plano de combate à pobreza, que demorou cinco anos a fazer, ficou na gaveta.