António Lima

António Lima

Deputado do Bloco de Esquerda na Assembleia Regional dos Açores e Coordenador regional do Bloco/Açores

Como em tantos momentos da história, cabe a quem não recua perante o avanço dos inimigos da democracia construir a força que os irá travar. Na segunda volta, e na luta diária por uma sociedade mais justa e solidária, secaremos a fonte que alimenta o ressentimento e o ódio.

Uma democracia não sobrevive se os votos forem sempre no mal menor. A esperança num país melhor, com uma Presidente que cuida da democracia, constrói-se quando o voto é nas ideias e nas pessoas em que acreditamos. E eu acredito na Catarina e nas suas ideias.

É preciso agir. Criar medidas de emergência, garantir um teto para todos, definir uma estratégia clara e dar recursos às entidades que conhecem estas pessoas e trabalham no terreno.

O Governo PSD/CDS/PPM dos Açores assume que estes dados são uma fatalidade, porque sabe que são consequência da sua política, ao propor uma redução da idade da reforma com base neles. Até o seu novo plano de combate à pobreza, que demorou cinco anos a fazer, ficou na gaveta.

O orçamento que o Governo Regional apresentou ao Parlamento é sintoma de 5 anos de políticas erradas. O investimento na habitação é o mesmo anunciado para 2021; o investimento estrutural na saúde é adiado mais uma vez. A vida continuará difícil para a maioria.

Para quê um Governo quando temos empresas para pensar e decidir por nós? Como é óbvio, foi o dono da obra — o Governo — quem determinou o que seria o tal “hospital novo”. O que aqui temos é uma privatização aos bocados do HDES, prejudicando os doentes e o SRS.

Precisamos mesmo de governos que, nos Açores e na República, coloquem, em primeiro lugar, os direitos dos trabalhadores portugueses da base das Lajes, assim como os interesses dos Açores e do país.

A realidade? Dívida pública galopante, défices orçamentais gigantescos, uma revisão da lei de finanças regionais na gaveta e um plano de austeridade e privatizações em preparação.

A ausência de planeamento, de preparação e de mitigação dos efeitos negativos causados pelo enorme aumento de visitantes no verão é evidente.

A ideia de que Portugal e os Açores ganhariam mundos e fundos da corrida às armas durou menos do que a validade de um iogurte açoriano. A corrida às armas é, acima de tudo, um tributo aos EUA e a Trump.