Após o incêndio no HDES, foi rapidamente prometido um “hospital novo” pelo presidente do Governo Regional. Por sua vez, há um ano, a Secretária Regional da Saúde afirmou que, após o primeiro semestre de 2025, haveria “fumo branco em relação às obras” do hospital novo. Hoje, a mesma governante já rejeita pressas na construção do referido hospital, mas sem avançar qualquer calendário.
Não há “pressas”, mas há decisões: a “externalização” da unidade de hemodiálise, ou seja, a sua privatização.
Centenas de doentes crónicos na ilha de São Miguel dependem da hemodiálise, para além das pessoas que visitam a ilha e necessitam do mesmo tratamento durante a sua estadia. Em São Miguel não existe nenhuma outra unidade de diálise para prestar esse tratamento.
Se não existe alternativa à unidade de hemodiálise do HDES, como será garantido o tratamento regular aos doentes? Para onde será “externalizado” esse serviço? A decisão do Governo depende da construção de uma clínica privada para prestar o serviço que o HDES deixará de prestar. Como sabe o Governo, de antemão, que isso irá acontecer? O negócio já está fechado?
Ao avançar com esta decisão, por motivos ideológicos e em benefício do interesse de alguns, o Governo Regional prepara-se para empurrar os doentes com insuficiência renal do “novo HDES” para a “nova clínica”. A Região pagará o tratamento à clínica, que antes era prestado pelo HDES. Multiplicam-se recursos, obriga-se os doentes, em caso de intercorrências, a serem transportados de ambulância. Um excelente negócio — para a clínica que o Governo aposta que irá aparecer, claro está.
A justificação dada pela Secretária da Saúde para tal decisão é, no mínimo, risível: a unidade de diálise será externalizada porque os planos funcionais encomendados pelo Governo assim o preveem.
Para quê um Governo quando temos empresas para pensar e decidir por nós? Como é óbvio, foi o dono da obra — o Governo — quem determinou o que seria o tal “hospital novo”. O que aqui temos é uma privatização aos bocados do HDES, prejudicando os doentes e o SRS.
Entretanto, o projeto para a nova unidade de hemodiálise, que constava dos planos de investimento da Região nos últimos anos, desapareceu da proposta de plano para 2026 que o Governo Regional entregou ao Parlamento.
Só falta a Secretária Regional da Saúde dizer que a decisão de o retirar foi de quem imprimiu o documento!