A substituição das políticas públicas pela mobilização da solidariedade sem retorno de gente anónima devia ser a vergonha do Governo. Mas dessa aprendizagem coletiva do Governo não há vestígios.
PS e PSD rodaram entre si e o que nos deixaram foi uma Coimbra-Trude, uma permanente promessa de uma cidade que nos entusiasme e uma permanente realidade de uma cidade que nos desanima.
Melo armou-se em Ventura e proclamou que quem levava comida e comida para Gaza era aliado do Hamas. E, calhando ser ministro da Defesa, pôs em risco, com as incendiárias declarações, o trabalho da diplomacia portuguesa para o retorno dos nossos.
A Assembleia Nacional Francesa aprovou a lei que reconhece aos franceses o direito à ajuda para morrer. O alento que esta histórica decisão do parlamento francês traz a todos os que têm feito sua esta batalha contradiz os ventos de retração que a despenalização da eutanásia enfrenta em Portugal.
Não são os mísseis nucleares franceses nem os gastos militares ilimitados que darão à Europa capacidade defesa contra o trumpismo e contra o putinismo.
Serei cabeça de lista do Bloco de Esquerda nas próximas autárquicas para políticas de rutura clara com os clientelismos e os marasmos que têm sido marca de décadas do rotativismo ao centro na Câmara de Coimbra.
A extrema-direita do nosso tempo não é o fascismo histórico, não é um mero remake de Mussolini. É um fascismo que promove o mercado e se suporta em estratégias e tecnologias comunicacionais que permitem conformar o senso comum adequado a uma sociedade do medo que grita raiva contra os de baixo deixando os verdadeiros patifes em paz.
O Papa Francisco dirigiu-se à DIALOP lembrando o dito argentino “no te arrugues!”, que quer dizer “não recues”. Fê-lo para nos desafiar: “Nunca percam a capacidade de sonhar! Esse é também o meu convite.
Se quer combater com bravura a agenda da extrema-direita, a esquerda não pode cair nas armadilhas do punitivismo nem da securitização. Tem de se bater pela excecionalidade da pena de prisão no sistema de execução de penas e pela transformação das prisões em unidades de reinserção social efetiva.