França

Governo, direita e extrema-direita cantam vitória pelo voto numa lei da imigração endurecida. O ministro da Saúde demitiu-se por causa dela e há departamentos que recusam aplicar o princípio de preferência nacional. Movimentos sociais e esquerda consideram lei uma vergonha nacional.

Enquanto o executivo negoceia novamente a lei da imigração, as suspeitas de que trocou votos de deputados da direita por mais polícias nos seus círculos foram parar a tribunal. O governo minoritário fez passar a primeira parte do Orçamento do Estado sem votação no Parlamento e a França Insubmissa anunciou uma moção de censura.

Uma moção de rejeição prévia rejeitou a lei Darmanin. A direita quer que a versão ainda mais dura do projeto que foi aprovada no Senado vá a votação e a “ala esquerda” macronista rejeita-a. A esquerda diz que assim se poupou ao país “duas semanas de discursos xenófobos e racistas”.

Durante a pandemia, os antigos trabalhadores de um McDonalds dos subúrbios norte de Marselha fizeram do espaço local para preparar refeições solidárias que chegaram a 15.000 pessoas. Há um ano, criaram um restaurante sem fins lucrativos que é uma “praça do povo” num bairro desfavorecido.

O complexo cultural estará fechado durante cinco anos a partir de 2025. Os trabalhadores entraram em greve no dia 16 de outubro porque temem pelo seu futuro. Esta quinta-feira, invadiram o Ministério da Cultura em protesto.

O ministro da Educação de França aproveitou os resultados do PISA para anunciar um “choque” no sistema educativo do país. Dele fazem parte algumas das medidas conservadoras habituais. Sindicatos e esquerda contestam.

A poucos meses dos Jogos Olímpicos de Paris, várias associações inquietam-se com o futuro dos sem-abrigo na capital, depois de um ano marcado por expulsões de alojamentos informais e por uma maior intervenção policial. Por Aude Cazorla.

O Senado francês aprovou uma proposta para acabar com o dispositivo que permite acesso gratuito dos imigrantes sem documentos ao serviço de saúde. 3.500 médicos responderam este fim de semana em nome do juramento de Hipócrates, dizendo que vão desobedecer e continuar a tratar sem cobrar.

O projeto já era considerado mau pelas associações e pela esquerda francesa. Agora, a direita e o centro tornaram-na ainda pior no Senado.

Assinalam-se este ano 50 anos da luta que colocou parte dos trabalhadores franceses a imaginar a auto-gestão. O seu mais conhecido dinamizador morreu este sábado aos 95 anos.

Afinal, a medida aprovada corta apenas 2,6% das emissões de gases com efeito de estufa do voos domésticos franceses. Os ambientalistas dizem que isto “foi o resultado de um incessante trabalho de lóbi do setor aéreo francês” e de um governo “mais preocupado com o efeito publicitário”.

Os perto de 200 trabalhadores da Arena da Porte de la Chapelle obrigaram a Câmara de Paris a comprometer-se com a sua regularização. Houve protestos de sem-papéis em mais trinta outros locais.

3.000 delas estão no patamar mais elevado de vigilância. Em comissão parlamentar de inquérito, o ministro do Interior francês desvaloriza a violência policial contra manifestantes.

Eurodeputada da França Insubmissa e co-presidente do grupo parlamentar europeu The Left, Manon Aubry falou com o Esquerda.net sobre a escalada do autoritarismo e a aliança de Macron com a extrema-direita. Por Mariana Carneiro.

Perto de duas centenas de sindicatos, partidos e movimentos sociais convocaram as manifestações que decorreram em mais de cem cidades francesas “contra a violência policial, as liberdades civis e o racismo sistémico”.

Em 2021, Ariane Lavrilleux publicou uma investigação sobre uma operação militar francesa que ajudou o regime de al-Sisi a eliminar dezenas de civis. Esta semana foi detida pela polícia, que quer identificar as suas fontes.

Cinco meses depois das manifestações em Sainte-Soline, os movimentos ambientalistas insistem na luta contra a apropriação privada da água e os perigos ambientais que trazem estes projetos. Perto de mil pessoas participam diariamente nesta volta à França em bicicleta pelo direito à água.

A organização diz que têm de sair por “razões de segurança”. Os “buquinistas” resistem e dizem que não faz sentido dizer que se vai celebrar Paris apagando-os da paisagem.

O relatório da comissão parlamentar de inquérito do Parlamento francês confirma que o atual Presidente, enquanto ministro da Economia e já depois de chegar ao Eliseu, agiu de acordo com os interesses do lóbi agressivo da Uber.

Carta aberta envia “forte mensagem de unidade e determinação na defesa dos valores democráticos e respeito pelos direitos fundamentais de todos”, exige justiça para vítimas da violência policial, e apela a mobilização para 15 de julho. Mais violência policial e prisões na manifestação de sábado em Paris.