Numa assembleia geral a 28 de setembro passado, com a presença de 400 trabalhadores do Centro Pompidou, em Paris, ficou decidido que, a partir de 16 de outubro, se iniciaria uma greve. Esta seguiu-se ao anúncio de que o famoso museu de arte moderna e contemporânea e complexo cultural da capital francesa encerrará para obras durante pelo menos cinco anos a partir de 2025.
Em perto de um milhar de trabalhadores do Centro Pompidou, está previsto que 480 sejam deslocalizados temporariamente para o Grand Palais, para vários armazéns das coleções de obras, para uma biblioteca e para um novo polo que está previsto que abra no verão de 2026.
Os trabalhadores querem que a ministra da Cultura, Rima Abdul-Malak, garanta que, ao longo do processo e sobretudo a seguir não haverá despedimentos nem externalização de serviços e que os trabalhadores serão depois reintegrados nas funções de origem. Esta, por e-mail enviado a 15 de novembro às estruturas sindicais, responde que “é demasiado cedo para determinar a organização das instituição quando esta reabrir dentro de sete anos”. Recusando-se assim a assinar qualquer compromisso escrito em nome do Estado sobre a continuidade dos postos de trabalho ao mesmo tempo que se diz “empenhada em que todos os membros do pessoal na reabertura encontrem o seu emprego ou um emprego que corresponda às suas competências” numa altura bem para além do seu mandato.
Os trabalhadores têm razões de preocupação. Um quarto deles ter-se-ão entretanto reformado pelo que seria necessário ou contratar mais pessoal para funcionar em moldes semelhantes de serviço público ou então concretizar o cenário que temem: a externalização de vários serviços como aconteceu com o Museu da Imigração depois de ter reaberto.
Para além disso, o modelo de funcionamento do Pompidou mudará: parte das obras irão para exposições permanentes noutros museus enquanto houver o encerramento o que cria também dúvidas sobre o futuro. Há entretanto pelo menos uma coleção que já sabe que fechará: o Atelier Brancusi que encerrou neste mês de setembro, surpreendendo os seus trabalhadores.
Também as trabalhadoras da Biblioteca Pública de Informação, que partilha o mesmo edifício, se juntaram depois ao movimento de contestação. No caso desta instituição cultural, haverá uma mudança para outro edifício o que implicará que 100.000 livros sejam eliminados do catálogo. Receia-se ainda que os serviços de formação para pessoas em situação precária que a biblioteca pública oferece não sejam mantido no novo espaço. A diminuição do espaço pode também levar ao despedimento dos trabalhadores precários. A semana passada foi a vez dos trabalhadores do outro centro de documentação que ocupa este espaço cultura, a Biblioteca Kandinsky, também participarem da luta.
Os trabalhadores do Pompidou preparam-se para um conflito laboral longo e criaram um fundo de greve. O mesmo fizeram os da BPI.
[DIRECT] "Rima démission !", "La culture en colère" : une centaine de travailleurs du Centre Pompidou, de la BPI, du Louvre ou de la BNF envahissent le Conseil social d'administration au ministère de la culture où était présente la ministre. pic.twitter.com/PzKNZt5Ptg
— Révolution Permanente (@RevPermanente) December 7, 2023
Contra a intransigência, invasão do Ministério da Cultura
Esta quinta-feira, a coligação de sindicatos composta pela CGT, CFDT, FO, Unsa e o SUD anunciou que o pré-aviso seria estendido até ao próximo dia 15 de janeiro.
No mesmo dia, um grupo de manifestantes destes dois serviços públicos, e também de vários outros como a Biblioteca Nacional de França, o Louvre, o Palácio de Versalhes, o Mobilier National, entrou no Ministério da Cultura, invadindo a reunião do “Conselho Social de Administração”, o organismo de concertação social que decorria naquele edifício, exigindo a demissão da ministra face à manutenção da sua intransigência. Esta e os diretores presentes escaparam pelo jardim.