Trabalhadores do Centro Pompidou prolongam greve até 15 de janeiro

10 de dezembro 2023 - 10:19

O complexo cultural estará fechado durante cinco anos a partir de 2025. Os trabalhadores entraram em greve no dia 16 de outubro porque temem pelo seu futuro. Esta quinta-feira, invadiram o Ministério da Cultura em protesto.

PARTILHAR
Trabalhadores da Cultura invadem Ministério em França. Foto: Révolution Permanente
Trabalhadores da Cultura invadem Ministério em França. Foto: Révolution Permanente

Numa assembleia geral a 28 de setembro passado, com a presença de 400 trabalhadores do Centro Pompidou, em Paris, ficou decidido que, a partir de 16 de outubro, se iniciaria uma greve. Esta seguiu-se ao anúncio de que o famoso museu de arte moderna e contemporânea e complexo cultural da capital francesa encerrará para obras durante pelo menos cinco anos a partir de 2025.

Em perto de um milhar de trabalhadores do Centro Pompidou, está previsto que 480 sejam deslocalizados temporariamente para o Grand Palais, para vários armazéns das coleções de obras, para uma biblioteca e para um novo polo que está previsto que abra no verão de 2026.

Os trabalhadores querem que a ministra da Cultura, Rima Abdul-Malak, garanta que, ao longo do processo e sobretudo a seguir não haverá despedimentos nem externalização de serviços e que os trabalhadores serão depois reintegrados nas funções de origem. Esta, por e-mail enviado a 15 de novembro às estruturas sindicais, responde que “é demasiado cedo para determinar a organização das instituição quando esta reabrir dentro de sete anos”. Recusando-se assim a assinar qualquer compromisso escrito em nome do Estado sobre a continuidade dos postos de trabalho ao mesmo tempo que se diz “empenhada em que todos os membros do pessoal na reabertura encontrem o seu emprego ou um emprego que corresponda às suas competências” numa altura bem para além do seu mandato.

Os trabalhadores têm razões de preocupação. Um quarto deles ter-se-ão entretanto reformado pelo que seria necessário ou contratar mais pessoal para funcionar em moldes semelhantes de serviço público ou então concretizar o cenário que temem: a externalização de vários serviços como aconteceu com o Museu da Imigração depois de ter reaberto.

Para além disso, o modelo de funcionamento do Pompidou mudará: parte das obras irão para exposições permanentes noutros museus enquanto houver o encerramento o que cria também dúvidas sobre o futuro. Há entretanto pelo menos uma coleção que já sabe que fechará: o Atelier Brancusi que encerrou neste mês de setembro, surpreendendo os seus trabalhadores.

Também as trabalhadoras da Biblioteca Pública de Informação, que partilha o mesmo edifício, se juntaram depois ao movimento de contestação. No caso desta instituição cultural, haverá uma mudança para outro edifício o que implicará que 100.000 livros sejam eliminados do catálogo. Receia-se ainda que os serviços de formação para pessoas em situação precária que a biblioteca pública oferece não sejam mantido no novo espaço. A diminuição do espaço pode também levar ao despedimento dos trabalhadores precários. A semana passada foi a vez dos trabalhadores do outro centro de documentação que ocupa este espaço cultura, a Biblioteca Kandinsky, também participarem da luta.

Os trabalhadores do Pompidou preparam-se para um conflito laboral longo e criaram um fundo de greve. O mesmo fizeram os da BPI.

Contra a intransigência, invasão do Ministério da Cultura

Esta quinta-feira, a coligação de sindicatos composta pela CGT, CFDT, FO, Unsa e o SUD anunciou que o pré-aviso seria estendido até ao próximo dia 15 de janeiro.

No mesmo dia, um grupo de manifestantes destes dois serviços públicos, e também de vários outros como a Biblioteca Nacional de França, o Louvre, o Palácio de Versalhes, o Mobilier National, entrou no Ministério da Cultura, invadindo a reunião do “Conselho Social de Administração”, o organismo de concertação social que decorria naquele edifício, exigindo a demissão da ministra face à manutenção da sua intransigência. Esta e os diretores presentes escaparam pelo jardim.