Reunidos em assembleia fundadora a 12 de maio de 2026 na NOVA FCSH, setenta docentes e investigadores das principais universidades portuguesas fundaram a Rede Académica pela Justiça na Palestina (RAJAP).
“De âmbito nacional e interuniversitário, a RAJAP nasce do entendimento de que a destruição em curso da vida académica palestiniana e a violência que a sustenta — inseparável do regime de ocupação, colonização e segregação imposto por Israel — exigem uma resposta colectiva, organizada e duradoura da comunidade académica portuguesa”, afirmam em comunicado.
A assembleia aprovou a Carta Fundacional da RAJAP, que ficará agora aberto à subscrição pública da comunidade académica portuguesa. No início da assembleia, participou Maya Wind (University of California), autora de Towers of Ivory and Steel: How Israeli Universities Deny Palestinian Freedom, que fez uma breve intervenção sobre o papel das instituições académicas israelitas na violência colonial israelita exercida sobre o povo palestiniano e as iniciativas académicas que, em diversos pontos do mundo, se afirmam em defesa da educação como instrumento de emancipação e contra a cumplicidade com a opressão.
Solidariedade
Manifesto pela Palestina junta centenas de professores e investigadores
Peritos das Nações Unidas e académicos palestinianos têm identificado o escolasticídio (scholasticide) — conceito desenvolvido pela investigadora palestiniana Karma Nabulsi — como uma dimensão específica da estrutura de destruição levada a cabo por Israel na Palestina. Trata-se do ataque sistemático a escolas, universidades, docentes e estudantes como meio de destruir a capacidade intelectual e o futuro de uma sociedade. Todas as doze instituições de ensino superior em Gaza foram destruídas ou severamente danificadas desde outubro de 2023 e a quase totalidade das escolas foi inutilizada.
Para a RAJAP, "o escolasticídio na Palestina representa um precedente extremo para a destruição das próprias condições universais da vida académica" e, perante ele, "a solidariedade académica não é uma opção, mas um imperativo ético".