França

Direita e centro direita acabaram com o cordão sanitário face à União Nacional. A ausência de muitos macronistas facilitou o resultado. Em causa estava o estatuto dos argelinos em França. A esquerda denuncia um texto racista e odioso.

Um tribunal de Paris condenou o gigante francês dos combustíveis fósseis por fazer publicidade enganosa sobre a sua “ambição de atingir a neutralidade carbónica” e se gabar de ser “um ator maior na transição energética”.

O ex-líder da direita francesa torna-se o primeiro Presidente da República a cumprir pena efetiva de prisão, após ter sido também o primeiro condenado por corrupção. Mas a campanha de vitimização de Sarkozy nos media franceses atingiu o ponto alto, com os ataques à justiça a partirem dos meios políticos e económicos.

O renomeado primeiro-ministro francês anunciou que a medida chave do macronismo não avançará até às novas eleições presidenciais. O PS tinha exigido pelo menos a sua suspensão sob ameaça de apresentar uma moção de censura. Mas o desfecho não encerra definitivamente a crise política.

O prazo dado por Macron ao primeiro-ministro demissionário acabou sem nenhuma saída para a crise. Enquanto o presidente não clarifica o que pretende fazer, traçamos o retrato do que está a dividir a esquerda francesa que ainda há pouco tinha saído das legislativas como o campo com mais deputados eleitos.

O primeiro-ministro anunciou a formação do governo mas rapidamente a direita gaulista lhe tirou o tapete, insatisfeita com a relação de forças no novo executivo. A França Insubmissa quer a demissão do Presidente, a extrema-direita prefere a dissolução do Parlamento e manter Macron no cargo.

Oitenta mil polícias nas ruas e um número sem precedentes de drones fizeram da manhã desta quarta-feira um jogo do gato e do rato de bloqueios que iam sendo reprimidos e voltavam a acontecer noutro ponto. De tarde, multidões manifestaram-se um dia depois de Macron nomear primeiro-ministro o seu leal apoiante conhecido pelos jantares secretos com Le Pen.

Deputados insubmissos, comunistas e ecologistas assinam uma moção de destituição do presidente francês que não é consensual à esquerda. Macron prepara-se para indigitar novo primeiro-ministro da sua área política e a extrema-direita preferia eleições legislativas antecipadas.

Um movimento nebuloso de extrema-direita, um ressurgimento dos Coletes Amarelos ou uma reunião de ativistas de esquerda? Desde agosto que há assembleias gerais a preparar para este bloqueio em mais de 60 cidades. O que está afinal a acontecer?

Guillaume Bernard

Uma das hipóteses que explica a moção de confiança apresentada pelo primeiro-ministro em 8 de setembro é a de que procura uma pressão dos mercados financeiros para impor uma política de austeridade. Mas a manobra está longe de estar ganha.
 

Romaric Godin

Uma análise das autoridades francesas mostrou taxas de contaminação “exorbitantes” por microplásticos nas águas Contrex e Hépar causadas por detritos da própria Nestlé.

Um recorde de dois milhões tinham subscrito uma petição ao parlamento contra a lei Duplomb. Agora, o Conselho Constitucional considera que repor o acetamiprido viola o direito a viver num ambiente saudável. Uma meia vitória para a esquerda e ecologistas já que vários retrocessos ambientais se mantêm.

Um recorde de assinaturas em pouco tempo opõe-se à lei que reintroduz um pesticida, facilita a construção das mega-bacias e afrouxa limites para obras das grandes pecuárias. A Confederação Camponesa denuncia a promoção de um “modelo agro-industrial que não responde em nada às necessidades do mundo rural”.

Investigação sobre financiamento ilegal nas últimas presidenciais, legislativas e europeias levou a polícia à sede da União Nacional. Na véspera tinha sido anunciada outra investigação pela Procuradoria Europeia por desvio de fundos ao grupo parlamentar da extrema-direita.

Uma investigação descobriu que esta quinta-feira 14 toneladas de peças para metralhadoras com destino a Israel iriam ser carregadas no porto de Fos-sur-Mer. O sindicato dos estivadores anunciou que os trabalhadores não irão carregar o navio.

O caso está a ser investigado como terrorismo. É a primeira vez que um assassinato racista é incluído nesta categoria. Apesar da extrema-direita racista, à qual o criminoso pertencia, ter perpetrado já 12 atentados terroristas desde 2017. O SOS Racisme culpa o “clima envenenado”com a “trivialização da retórica racista”.

A Guiana Francesa foi uma colónia penal de 1854 a 1953. Ao propor uma prisão de alta segurança neste território, Gérald Darmanin está a reativar este imaginário securitário e colonial. Retrospetiva de uma história de confinamento no “inferno verde” da Amazónia.

Pierre Cilluffo Grimaldi

Sindicatos de magistrados e organizações de defesa dos direitos humanos opõem-se a uma medida que outros na Europa já aprovaram. Falam em discriminação, limitação de direitos, problemas acrescidos na reinserção, afastamentos das famílias e advogados e custos excessivos.

A ONG junta-se a uma onda críticas que já contou com manifestações e com uma petição assinada por mais de 200 mil pessoas. “A decisão do governo de dissolver um coletivo de defesa dos direitos dos palestinianos, em pleno genocídio na Faixa de Gaza, seria um ato muito grave” diz a AI.

Na Assembleia Nacional, centro, direita e extrema-direita disputaram quem quer mais energia nuclear. A esse campeonato somou-se outro à direita: a diabolização das energias renováveis.