França

Um governo demissionário aprovou um decreto que corta no repouso semanal para os trabalhadores que fazem as vindimas. Sindicatos e esquerda lembram que o ano passado morreram seis trabalhadores devido ao calor, que os horários e o tipo de trabalho são penosos e pedem medidas de adaptação às alterações climáticas.

O presidente francês quebrou o silêncio para dizer que ninguém ganhou as eleições e que devem existir “compromissos”. Os ministros dão a conhecer a sua inquietação por permanecerem num governo sem legitimidade. Mélenchon e o resto da esquerda apelam ao respeito pelo voto popular.

O presidente segurou o primeiro-ministro e ganhou tempo enquanto a esquerda discute um futuro governo. Mas o campo liberal mostra divisões. Enquanto ganha força a tese de uma coligação com a direita para se tentar apresentar como primeira força no Parlamento, vários deputados ameaçam bater com a porta.

A campanha presidencial de Le Pen de 2022 está na mira da justiça por financiamento ilegal. Em Espanha, o Vox foi multado por financiamento irregular. No Brasil, Bolsonaro é acusado de associação criminosa por desviar do acervo público prendas vendidas para benefício próprio.

A Nova Frente Popular insta o presidente da República a não fazer nenhuma manobra e a nomear um primeiro-ministro de esquerda. Entretanto, começaram já as negociações sobre o futuro Governo e o nome do próximo primeiro-ministro é uma das questões a resolver.

Resultados deram a vitória à Nova Frente Popular e o terceiro lugar à extrema-direita. Mélenchon diz que Macron tem o dever de chamar a esquerda a governar e recusa negociações com o campo presidencial.  “A esperança ganha força na Europa”, afirmou Mariana Mortágua.

Edgar Morin apela ao antifascismo. Annie Ernaux à união na eleição “pela qual os nossos descendentes nos julgarão” e depois da qual “é preciso continuar a lutar juntos pela justiça social”. São duas vozes entre muitas contra a União Nacional a poucos dias da segunda volta e quando a extrema-direita fugiu ao último debate.

Graças ao sistema eleitoral francês, estavam previstas para domingo mais de 300 disputas entre três candidatos. Contra o perigo da eleição de deputados de extrema-direita, cerca de 200 candidatos já saíram do escrutínio para concentrar votos nos melhores colocados para derrotar a União Nacional. A esquerda fá-lo em nome do antifascismo, mas no campo macronista abrem-se exceções.

Ugo Palheta, especialista em desigualdades sociais e étnico-raciais, analisa nesta entrevista a tentação autoritária e racista que atravessa França e as formas de tentar impedir a catástrofe.

Na reta final de campanha para a primeira volta das legislativas, cerca de três centenas de economistas franceses afirmam que “as orientações económicas da Nova Frente Popular são as que melhor respondem aos desafios da nossa época”. Leia aqui o manifesto.

Uma extrema-direita que “promete a lua” mas fará os mais pobres pagar as benesses dos mais ricos e estigmatiza imigrantes, um macronismo marcado pela reforma das pensões, a crise do custo de vida e o défice orçamental, e uma esquerda apostada na justiça social. Os três projetos de sociedade francesa enfrentaram-se nos pequenos ecrãs na terça à noite durante duas horas.

Em 1936, face ao avanço da extrema-direita em França, apoiada pelos nazis alemães e fascistas italianos, os partidos de esquerda , os sindicatos e outros movimentos sociais constituem a Frente Popular, derrotando nas urnas o avanço do fascismo e deixando um legado histórico que continua a inspirar a esquerda de hoje.

Álvaro Arranja

200 associações francesas convocaram manifestações em várias cidades do país este domingo para denunciar o perigo da chegada da extrema-direita ao poder.

A extrema-direita enfrenta a condenação pela fraude dos “kits de campanha” e o julgamento do caso da “preferência nacional”. Enquanto isso, os jornais mostram os seus candidatos negacionistas das alterações climáticas, putinistas e antissemitas.

União Nacional mete na gaveta promessas sobre pensões, IVA de bens essenciais e quer avançar com privatização de televisão e rádio pública. Subitamente, página da campanha presidencial de Le Pen que apresentava muitas das propostas foi retirada do ar. Ao mesmo tempo que o Financial Times titula que o patronato agora a “corteja”.

Duas tribunas públicas, uma de 400 figuras do mundo desportivo outra de 200 criadores de conteúdo de Internet, tomam partido contra a extrema-direita. Os do desporto apelam à “fraternidade, solidariedade e espírito de equipa” e à aprendizagem de que “a nossa diversidade é um ponto forte”, opondo-se a quem “explora diferenças e manipula medos para nos dividir”.

As manifestações convocadas pelas centrais sindicais juntaram este sábado muitos milhares de pessoas em dezenas de cidades francesas para sublinhar a importância da próxima eleição para o futuro da democracia no país.

A esquerda francesa fechou em tempo recorde o seu programa eleitoral para vencer nas urnas o projeto reacionário da extrema-direita a 30 de junho. E compromete-se a rejeitar as regras do pacto orçamental europeu para conseguir recuperar os serviços públicos e melhorar a vida das pessoas. Leia aqui o programa completo.

O presidente dos Republicanos anunciou a vontade de entrar em acordo com o partido de Le Pen para as próximas legislativas. O seu partido, contudo, parece ter entrado em guerra civil por causa da proposta.

Os antigos partidos da NUPES anunciaram que vão concorrer juntos às próximas legislativas. Depois da vitória da extrema-direita nas europeias e da convocação de eleições para o final do mês, crescem os apelos à unidade do mundo sindical, associativo, cultural e político.