SNS

822 aposentaram-se este ano. Um número que é o máximo em pelo menos uma década. Há especialistas que indicam o pico ainda não foi atingido e que os problemas se agudizam com a saída de médicos para o estrangeiro ou para o privado. Tornar a carreira atrativa é a solução apontada.

Por falta de profissionais de saúde, até 31 de dezembro o país terá apenas 54% das unidades de urgência a funcionar em pleno. Diretor executivo do SNS prevê normalização em janeiro, quando recomeça o limite anual das 150 horas extraordinárias para os médicos.

Num encontro no Hospital Amadora-Sintra, Mariana Mortágua ouviu as queixas de profissionais dos cuidados materno-infantis que lançaram um alerta ao Governo e insistiu que "o país não consegue viver com urgências que abrem à vez nem com um SNS assente em horas extraordinárias ilegais".

Duzentos profissionais de saúde da região de Lisboa e Vale do Tejo, na sua maioria da área materno-infantil, subscrevem um texto a alertar para "os enormes riscos dos crescentes constrangimentos no acesso à saúde".

Numa interpelação ao Governo esta quinta-feira, Mariana Mortágua acusou o Governo de aprovar um regime que propõe aos médicos "o equivalente a mais 2 meses de trabalho por ano" numa altura em que estes abandonam o SNS por estarem exaustos.

Para a Federação Nacional dos Médicos, o anúncio da abertura de 991 vagas "não vai fixar médicos no SNS" se não foram melhoradas as condições de trabalho e os salários. Bastonário teme que muitas vagas fiquem por preencher.

 

A especialidade de Medicina Interna e a região de Lisboa e Vale do Tejo são as mais afetadas. Os sindicatos explicam que os médicos em especialização estão a rejeitar as más condições de trabalho que o SNS lhes está a oferecer.

Pedro Filipe Soares anunciou que o Bloco de Esquerda vai interpelar o Governo sobre saúde no início de dezembro porque este “permanece por sua vontade e pela intransigência no relacionamento com os profissionais de saúde como um dos bloqueios fundamentais do país”.

Entre os dias 19 e 25 deste mês, diversas especialidades de 36 dos 80 das urgências do país terão o seu acesso condicionado. Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde aponta “escassez de recursos humanos” como uma das causas do “período crítico” que o SNS atravessa.

Após reunir com a administração do hospital de Setúbal, Mariana Mortágua lembrou que o Bloco apresentou medidas para que os hospitais tenham autonomia de contratação, haja um aumento da remuneração de todos os médicos em 15% e um regime de exclusividade que permite aos hospitais atraírem profissionais.

O início do mês de novembro é marcado por urgências encerradas ou com fortes constrangimentos no seu funcionamento de Norte a Sul do país. Urgências pediátricas em Lisboa e Vale do Tejo são das mais afetadas. Hospital da Guarda com vários serviços encerrados todo o mês.

O Governo arrasta há dois anos a negociação com os médicos. Conheça as manobras de Manuel Pizarro face às soluções propostas pelos médicos para resolver o impasse do SNS.

No primeiro dia do debate orçamental na generalidade, Mariana Mortágua confrontou António Costa com o recuo no travão ao aumento de rendas, a inconsistência do Governo na negociação com os médicos e o aumento do IUC que põe parte da população contra a transição climática.

Federação Nacional dos Médicos garante que “não aceitará que Manuel Pizarro dê com uma mão para retirar com a outra” e alerta que o Ministério da Saúde “está isolado caso persista na sua intransigência e os resultados serão, garantidamente, trágicos”.

Pedro Filipe Soares diz que é "inaceitável" que os responsáveis máximos políticos e executivos pelos cuidados de saúde em Portugal venham anunciar "um mês de novembro dantesco nos hospitais públicos".

 

Se o Governo não chegar a acordo com os médicos, Fernando Araújo diz que o próximo mês será o pior dos 44 anos de vida do SNS. A FNAM acusa o Governo de ter ignorado as suas propostas nos últimos 18 meses.

Mariana Mortágua marcou presença na manifestação dos médicos para defender que o Governo “ou larga esta obsessão em contrariar os profissionais, ou então estará a destruir o SNS”.

Estrutura sindical explica que greve para todos os médicos na próxima terça e quarta-feira, e a manifestação do dia 17, terça-feira, às 15h, no Ministério da Saúde, em Lisboa, têm como objetivo fazer uma viragem crucial para salvar a carreira médica e o SNS.

A reunião entre Governo e sindicatos confirmou a abertura de Pizarro para recuar, mas por enquanto "apenas temos palavras e slides", diz a presidente da FNAM, que convidou o SIM, a Ordem dos Médicos e os Médicos em Luta para a manifestação de dia 17.

Federação Nacional dos Médicos pretende ver fiscalizada a constitucionalidade do regime de dedicação plena aprovado pelo Governo. E dizem que é a medida que faltava para a "destruição plena do SNS".