Face à intransigência de Manuel Pizarro, que tem vindo a rejeitar, num processo de negociação que se arrasta há dois anos, as soluções propostas pelos médicos para resolver o impasse do SNS, os serviços de urgência de vários hospitais do país estão já em rotura ou em vias de colapsar.
De acordo com a RTP, na região da Grande Lisboa, somente dois hospitais com urgência pediátrica estão a funcionar sem constrangimentos: o Santa Maria e o Dona Estefânia.
A urgência de obstetrícia e ginecologia do Hospital Amadora-Sintra está encerrada desde segunda-feira e só reabre esta sexta-feira, mas volta a fechar na próxima semana. No que respeita à urgência pediátrica, o serviço encerra todas as noites entre as 20h e as 8h por tempo indeterminado. O serviço de urgência de anestesia, com 94 por cento dos médicos a recusar fazer mais de 150 horas extra anuais, também está condicionado.
Em Almada, o Hospital Garcia de Orta encerra a sua urgência pediátrica todas as noites até às 8h30. O hospital informa também que a cirurgia geral estará encerrada aos fins-de-semana, entre as 8h de sábado e as 8h de segunda-feira. Na neurologia várias escalas noturnas ao longo do mês estão por assegurar, com impacto na resposta ao nível da Via Verde AVC (Acidente Vascular Cerebral).
A falta de médicos também está a condicionar as urgências dos hospitais do Norte e Centro de Portugal.
A urgência ortopédica do Hospital de Chaves encerra durante todo o mês. Em Penafiel, a urgência de obstetrícia está encerrada e o hospital diz que só garante as urgências de pediatria até 14 de novembro. Já a urgência de Cirurgia Geral encerrou há quase um mês. A urgência de obstetrícia e ginecologia do Hospital de Braga só reabre no sábado às 8h. A urgência pediátrica de Santa Maria da Feira também está encerrada até dia 4 de novembro.
O Centro Hospitalar do Baixo Vouga (Aveiro) encerrou a sua urgência de Cirurgia Geral por 24 horas entre as 8h de dia 1 e as 8h de dia 2 de novembro. No Centro Hospitalar Tondela-Viseu, a urgência em cirurgia e ortopedia encerra à noite, e durante todo o mês, das 19h às 8h30. A via verde coronária, uma referência neste hospital, verá os seus serviços condicionados a partir de sábado e durante 12 dias. E o número de camas no serviço de cuidados intensivos foi reduzido, para apenas 20.
O Centro Hospitalar de Leiria informou que a sua urgência ginecológica/obstétrica está encerrada até às 9h de segunda-feira e que, “em situações urgentes, as utentes poderão dirigir-se à Maternidade Dr. Bissaya Barreto ou à Maternidade Dr. Daniel de Matos", em Coimbra.
O jornal Público refere que o Hospital da Guarda é aquele que concentra mais problemas, com vários serviços encerrados todo o mês. De acordo com uma nota interna da diretora clínica do estabelecimento de saúde, o serviço de urgência da Cirurgia Geral está encerrado até ao fim de novembro; a urgência estará encerrada nos próximos dias 4 e 5 e todas as restantes sextas, sábados e domingos até ao final do mês, não apenas na Medicina Interna mas também no Bloco de Partos e Urgência Obstétrica, e na Via Verde AVC. Os utentes da Cirurgia Geral e também do foro da Cardiologia serão encaminhados para o Centro Hospitalar Tondela-Viseu nos turnos diários e para o Centro Hospitalar Universitário de Coimbra à noite. No Hospital Sousa Martins – Unidade Local de Saúde da Guarda, não haverá serviço de urgência da Ortopedia aos sábados e domingos, durante todo o mês.
A agência Lusa assinala, com base em números divulgados pelos “Médicos em Luta”, que 38 hospitais estarão com cerca de 90% dos seus serviços indisponíveis. E avança que, em 19 serviços, 100% dos médicos pediram escusa às horas extraordinárias, como é o caso de Santa Maria da Feira, em ortopedia, Viana do Castelo e Ponte de Lima, em cirurgia geral, Garcia de Orta, em Pediatria e Neurologia, Guimarães, em obstetrícia, e Barcelos e Caldas da Rainha, em cirurgia geral.
Segundo avança esta quinta-feira o Jornal de Notícias, o Ministério da Saúde está a ponderar oferecer mais dias de férias aos médicos com mais de 50 anos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para que estes abdiquem da dispensa de trabalho noturno. Não exercendo esse direito até ao final de cada ano, os profissionais entre 50 e 55 anos receberiam mais dois dias de férias. Já os médicos na mesma situação com mais de 55 anos ganhariam mais três dias de férias.