O número de médicos que trabalhavam no Serviço Nacional de Saúde e que se reformaram atingiu o máximo de uma década e há especialistas que dizem que o pico ainda não foi atingido, sendo esperado para os próximos anos.
O Público analisou as listas de aposentação e reforma da Caixa Geral de Aposentações e descobriu que, este ano, foram 822 os médicos que se aposentaram. Este número supera as previsões do Governo, que previa que seriam menos de 700, e representa um aumento de 5% face ao ano passado quando tinham sido 782.
O jornal adverte que isto não significa que tenham saído do SNS já que há médicos que continuam a trabalhar nele depois da aposentação. Contudo, somado à saída de clínicos para o estrangeiro ou para o privado não deixa de ser um fenómeno que preocupa alguns dos especialistas citados pelo Público.
Pedro Pita Barros, autor de um relatório sobre recursos humanos na saúde que foi publicado em dezembro do ano passado, explicava então que o máximo de aposentações iria acontecer em dois, três anos no documento lia-se: “a elevada proporção de médicos com mais de 65 anos faz antever uma vaga de aposentações para os próximos anos. As estimativas do Serviço Nacional de Saúde apontam para um recorde de aposentações que será verificado na década de 2020-2030”.
António Luz Pereira, vice-presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, destaca que isto “agudiza mais o crescendo do número de utentes sem médico de família”, uma das especialidades com mais médicos e das que tem assistido a um maior número de saídas. Defende por isso que “há a necessidade de rever as condições para manter os profissionais e cativar os que estão agora no início da sua carreira”.
Já o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, diz que “a ginástica” que tem sido feita pelos sucessivos governos para tentar colmatar isto “que é carregar ainda mais sobre os poucos médicos que o SNS tem, isto é, obrigar a fazer mais horas extraordinárias” não é o caminho. “A solução é ter um SNS mais atrativo, para manter os que cá estão e os que acabam de sair das especialidades.”