Com o lema “Taxar os Ricos!”, a Aliança da Esquerda Europeia organizou um comício público em Milão, na véspera da realização do seu Congresso que irá decorrer este fim de semana.
O partido europeu de que o Bloco de Esquerda faz parte e é co-presidido desde por Catarina Martins desde o congresso fundador na cidade do Porto, vai discutir a situação política europeia e o impacto da sua primeira grande iniciativa política que já recolheu mais de um milhão de assinaturas nos países da União Europeia pelo fim do acordo de associação UE/Israel.
Neste comício, José Manuel Pureza evocou Almeida Garrett e as suas palavras sobre a acumulação da riqueza no período da revolução industrial, questionando os “economistas políticos e os moralistas” da altura se já tinham feito contas a quantas pessoas teriam de ser condenadas à miséria para se produzir um homem rico. Os destinatários da pergunta do escritor e dramaturgo português do século XIX “são hoje os responsáveis dos governos liberais nos nossos países e os tecnocratas da União Europeia”, afirmou Pureza, concluindo que a sua resposta continua a ser a mesma: “chamam-lhe o mérito”.
Greve Geral
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“O que chamam de mérito é o que divide as sociedades e coloca as pessoas umas contra as outras. E nesse caos, o mercado impera. É ele que transforma Elon Musk no primeiro trilionário do mundo. É ele que permite que centenas de pessoas pratiquem evasão fiscal através de paraísos fiscais offshore. E é ele que mantém o sistema a funcionar”, prosseguiu o coordenador bloquista.
Com a consciência de que a luta contra as desigualdades parece hoje mais longa e difícil, à medida que “a nova tecno-oligarquia está a conseguir acelerar a degeneração da ordem económica e social, transformando-a num novo far-west com uma única regra: a lei do mais forte”, Pureza contrapôs a este cenário a esperança que encontra nas lutas em Portugal, seja “contra as privatizações das praias” ou na “resistência das populações rurais à destruição do seu território pelas multinacionais mineiras”. E sublinhando “o poderoso sinal de esperança” que foi a greve geral desta semana contra o pacote laboral.
Esta luta “contra a exploração dos muitos mascarada de mérito dos poucos” encontra um sujeito coletivo nos grevistas portugueses e em tantas lutas por todo o mundo, concluiu Pureza, congratulando-se por ver muitas delas representadas no espaço político reunido em Milão este fim de semana.
Além do coordenador do Bloco, o comício contou com intervenções de Catarina Martins, das eurodeputadas Manon Aubry (France Insoumise) e Irene Montero (Podemos), dos deputados Nicola Fratoianni e Elisabetta Piccolotti (Sinistra Italiana), Minja Koskela e Li Andersson (Vasemmistoliitto, Finlândia), do diretor do International Tax Observatory Quentin Parrinello, Mikhail Maslennikov (Oxfam), entre outros.