Esquerda Europeia

Em Milão, Pureza apela à mobilização contra o “faroeste” dos tecno-oligarcas

05 de junho 2026 - 19:25

Coordenador do Bloco interveio esta sexta-feira num comício da Aliança da Esquerda Europeia, que realiza o seu Congresso este fim de semana em Itália.

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José Manuel Pureza no comicio da Aliança da Esquerda Europeia
José Manuel Pureza no comicio da Aliança da Esquerda Europeia. Foto Esquerda.net

Com o lema “Taxar os Ricos!”, a Aliança da Esquerda Europeia organizou um comício público em Milão, na véspera da realização do seu Congresso que irá decorrer este fim de semana.

O partido europeu de que o Bloco de Esquerda faz parte e é co-presidido desde por Catarina Martins desde o congresso fundador na cidade do Porto, vai discutir a situação política europeia e o impacto da sua primeira grande iniciativa política que já recolheu mais de um milhão de assinaturas nos países da União Europeia pelo fim do acordo de associação UE/Israel.

Neste comício, José Manuel Pureza evocou Almeida Garrett e as suas palavras sobre a acumulação da riqueza no período da revolução industrial, questionando os “economistas políticos e os moralistas” da altura se já tinham feito contas a quantas pessoas teriam de ser condenadas à miséria para se produzir um homem rico. Os destinatários da pergunta do escritor e dramaturgo português do século XIX “são hoje os responsáveis dos governos liberais nos nossos países e os tecnocratas da União Europeia”, afirmou Pureza, concluindo que a sua resposta continua a ser a mesma: “chamam-lhe o mérito”.

“O que chamam de mérito é o que divide as sociedades e coloca as pessoas umas contra as outras. E nesse caos, o mercado impera. É ele que transforma Elon Musk no primeiro trilionário do mundo. É ele que permite que centenas de pessoas pratiquem evasão fiscal através de paraísos fiscais offshore. E é ele que mantém o sistema a funcionar”, prosseguiu o coordenador bloquista.

Com a consciência de que a luta contra as desigualdades parece hoje mais longa e difícil, à medida que “a nova tecno-oligarquia está a conseguir acelerar a degeneração da ordem económica e social, transformando-a num novo far-west com uma única regra: a lei do mais forte”, Pureza contrapôs a este cenário a esperança que encontra nas lutas em Portugal, seja “contra as privatizações das praias” ou na “resistência das populações rurais à destruição do seu território pelas multinacionais mineiras”. E sublinhando “o poderoso sinal de esperança” que foi a greve geral desta semana contra o pacote laboral.

Esta luta “contra a exploração dos muitos mascarada de mérito dos poucos” encontra um sujeito coletivo nos grevistas portugueses e em tantas lutas por todo o mundo, concluiu Pureza, congratulando-se por ver muitas delas representadas no espaço político reunido em Milão este fim de semana.

Sala do comício da Aliança da Esquerda Europeia em Milão.
Sala do comício da Aliança da Esquerda Europeia em Milão. Foto ELA.

Além do coordenador do Bloco, o comício contou com intervenções de Catarina Martins, das eurodeputadas Manon Aubry (France Insoumise) e Irene Montero (Podemos), dos deputados Nicola Fratoianni e Elisabetta Piccolotti (Sinistra Italiana), Minja Koskela e Li Andersson (Vasemmistoliitto, Finlândia), do diretor do International Tax Observatory Quentin Parrinello, Mikhail Maslennikov (Oxfam), entre outros.