Madeira

Chega abstém-se na votação do Orçamento da Madeira para 2024 e permite que PSD governe, mas retira contrapartidas.

À hora a que Ventura chamava os polícias para a Assembleia da República, na Madeira o Chega entregava o Governo a um político apontado pela Justiça como o líder de um esquema de corrupção com dinheiros públicos.

Os 24 trabalhadores estavam a recibos verdes pagos através de empresas subcontratadas. O tribunal reconheceu o seu vínculo contratual à estação pública regional de rádio e televisão.

O potencial dos Açores e da Madeira está a ser desperdiçado por falta de investimento e de políticas eficazes na formação e investigação, o que impede o desenvolvimento de uma economia mais justa e avançada.

Aurora Ribeiro e Mónica Pestana

Mariana Mortágua destacou o “cenário de enorme instabilidade” que resulta destas eleições que deixaram o PSD longe da maioria absoluta, o JPP a crescer e o Bloco e a CDU afastados da próxima Assembleia Legislativa Regional.

Roberto Almada encerrou a campanha regional do Bloco na Madeira a sublinhar que este é o partido que denuncia há décadas “aquilo que ninguém denunciava”. Mariana Mortágua destacou a coerência do partido, ao contrário de PSD e Chega que admitem uma aliança ao nível regional.

No comício de campanha no Funchal, Roberto Almada defendeu que a mudança política na Madeira não pode passar pelos que hoje estão ao lado de Albuquerque no Governo. Mariana Mortágua acusou Montenegro de querer exportar o modelo económico “desastroso” da Região para o resto do país.

Mariana Mortágua anunciou que chamará Paulo Rangel ao Parlamento porque este tem que se responsabilizar pela posição de Portugal sobre o massacre na Palestina e o Governo tem de agir para o travar. No final das jornadas parlamentares do partido, criticou ainda as políticas laborais de um Governo “instruído pelos patrões”.

Roberto Almada lembrou esta segunda-feira que ao contrário do que se passa nos Açores e no continente, na Madeira ainda é possível “que um deputado um dia aprove uma lei que no dia seguinte pode beneficiar enquanto empresário”.

Roberto Almada diz que o Bloco cumpriu e que o voto é importante para impedir um governo da direita com a extrema-direita. Mariana Mortágua lembra que a governação da Madeira resultou em especulação imobiliária, maiores preços da habitação, baixos salários, com o ambiente colocado em segundo plano.

O candidato-arguido no processo de corrupção na Madeira inaugurou um empreendimento construído por uma “cooperativa de habitação económica”, com preços proibitivos para a esmagadora maioria dos habitantes da Região Autónoma. Bloco de Esquerda/Madeira exige medidas corajosas para garantir uma habitação a quem dela necessita.

A denúncia é do candidato do Bloco às legislativas regionais da Madeira. Roberto Almada critica este “desrespeito gritante a quem deu o melhor de si para salvar vidas, colocando em risco a sua própria saúde” durante a pandemia.

O registo de navios no offshore da Madeira disparou nos últimos dez anos, ultrapassando hoje os 900. A venda de Portugal como “bandeira de conveniência” associa o país a negócios que ninguém escrutina. É o caso do bilionário israelita cujo cargueiro foi apresado pelo Irão, colocando o Estado português no centro de uma crise diplomática.

A candidatura do Bloco às legislativas regionais antecipadas de 26 de maio  apresenta o atual deputado e a coordenadora regional Dina Letra nos dois primeiros lugares da lista.

Após ouvir os partidos e o Conselho de Estado, o Presidente da República convocou eleições para o dia 26 de maio na Madeira. Roberto Almada tinha defendido essa posição na reunião com Marcelo e considera que o Presidente "não podia tomar outra" decisão.

“É a primeira vez na história da democracia portuguesa que um partido elege para o liderar alguém que é arguido por suspeitas dos crimes de corrupção, de prevaricação, de abuso de poder e de atentado contra o Estado de direito” sublinhou Dina Letra que defende que Marcelo deve seguir o critério que usou quanto ao governo nacional.

O líder demissionário do Governo da Madeira, arguido no processo de corrupção entre governantes e empresários da ilha, recandidatou-se e voltou a ser o escolhido para líder regional do PSD.

A mais conhecida discoteca do Funchal terá sido a plataforma de circulação de dinheiro vivo entre patrões e governantes da Madeira, investigam as autoridades.

Uma delegação do Bloco de Esquerda/Madeira foi recebida pelo representante da República. Dina Letra defendeu a realização de eleições antecipadas e diz que o partido está preparado para ir a votos.