Em conferência de imprensa, Roberto Almada, cabeça de lista do Bloco às legislativas regionais antecipadas de 26 de maio, lembrou que Miguel Albuquerque inaugurou há três dias um empreendimento habitacional, construído por uma “cooperativa de habitação económica”, com apartamentos a serem vendidos “a preços exorbitantes e nada consentâneos com a natureza acessível das tais cooperativas de ‘habitação económica’”.
“Colocar no mercado apartamentos, que deveriam ter um preço acessível, a cerca de 200 mil euros o T1, 350 mil euros o T2 e quase meio milhão de euros o T3, é gozar com todas aquelas pessoas que na nossa Região anseiam por uma habitação que, a estes preços proibitivos, não as podem adquirir”, frisou o candidato.
Roberto Almada acrescentou ainda que o “que vai acontecer é que este tipo de habitações, nada económicas, pelos vistos, vão ser adquiridas, na sua maior parte, por grandes investidores estrangeiros, e alguns regionais, com elevado poder de compra, para alojamento local ou para arrendamento de luxo”.
De acordo com o cabeça de lista do Bloco, “o Governo Regional, e o seu ‘empreiteiro-mor’ Miguel Albuquerque, não está interessado em resolver o grave problema de habitação” da Madeira.
Roberto Almada enfatizou que “dar a sua ‘bênção’ a uma fraude destas é inadmissível”, principalmente num contexto em que “muitos milhões do PRR serão distribuídos por várias ‘cooperativas de habitação económica’ para a construção de habitações, supostamente, a custos controlados”.
O Bloco receia que exista uma subversão de toda a filosofia inerente à comercialização de imóveis através das chamadas "cooperativas de habitação económica", que estão a “ser tomadas pela ganância de lucrar milhões com o mercado imobiliário, quando deveriam concentrar-se em disponibilizar imóveis para habitação a preços realmente reduzidos”.
Roberto Almada foi perentório ao afirmar que o próximo governo da Região terá que tomar “medidas corajosas para garantir uma habitação a quem dela necessita”. E reiterou que “a solução para a grave crise da Habitação tem que passar pela imposição de tetos máximos para as rendas, pela proibição de venda ou revenda de habitação adquirida às ‘cooperativas de habitação económica’ a preços especulativos, pela limitação do alojamento local, pela obrigatoriedade de reservar 25% dos imóveis em todos os novos empreendimentos habitacionais a licenciar, pelo fim dos benefícios fiscais para a reabilitação de casas que se destinem a outros fins que não a habitação”.
O Bloco tem defendido que estas medidas são fundamentais para aliviar “a pressão sobre o mercado imobiliário” e libertar habitações, a preços mais baixos, para que quem vive e trabalha na Madeira possa comprar a sua habitação e a consiga pagar.