Eleições

Na Madeira, “o voto que muda alguma coisa é no Bloco”

24 de maio 2024 - 19:42

Roberto Almada encerrou a campanha regional do Bloco na Madeira a sublinhar que este é o partido que denuncia há décadas “aquilo que ninguém denunciava”. Mariana Mortágua destacou a coerência do partido, ao contrário de PSD e Chega que admitem uma aliança ao nível regional.

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Ação final da campanha regional da Madeira 2024
Ação final da campanha regional da Madeira 2024

Roberto Almada, cabeça de lista do Bloco de Esquerda às eleições legislativas regionais de domingo, apresentou o voto no partido como “o voto que muda alguma coisa na Madeira” e o voto “naquela oposição que não foge, que não deserta, que efetivamente tem estado sempre junto das pessoas”. Considerou ainda que o Bloco foi “a oposição é o mais forte, a esquerda que lhes bateu mais forte”.

O Bloco de Esquerda da Madeira, insiste, “há décadas” que denuncia as “relações perigosas entre o poder económico e o poder político regional”, que denuncia “situações de falta de de falta de transparência e de alegada corrupção”.

Agora é tempo da Justiça fazer o seu trabalho, mas o candidato bloquista não deixou de sublinhar que “andamos aqui há muitos anos a denunciar aquilo que ninguém denunciava”. Criticou ainda “aqueles que dizem ser contra a corrupção” mas que “nessa altura, estavam no PSD e pactuavam com tudo isso”.

A coerência é a maior arma do Bloco

Na ação final de campanha, Mariana Mortágua destacou a coerência do Bloco de Esquerda como “a maior arma que temos nesta campanha”. Assim, ao contrário do PAN da Madeira, o partido não “troca as suas causas por um acordo de poder”.

Para a coordenadora bloquista, coerência é também “querer para o Funchal e para a Madeira o mesmo que se quer para o país”. Aqui o contraste é com o PS, que “devia explicar porque é que promete na Madeira uma coisa e faz outra quando está no governo da República”.

E defendeu que ”o 'não é não' tem que valer em todo o território”, aludindo ao PSD que admite acordos com extrema-direita. Por outro lado, o Chega também quer acordos com Miguel Albuquerque. Mariana Mortágua recordou a carta que André Ventura escreveu a Miguel Albuquerque quando o convidou para ser o seu mandatário de campanha nas eleições presidenciais. Questionando “o que é que André Ventura sabe agora sobre o PSD Madeira que não sabia há uns anos atrás” respondeu: “nada.” E enquanto o Bloco de Esquerda denunciava o PSD Madeira, “André Ventura queria fazer uma sociedade com Miguel Albuquerque”. Para a coordenadora bloquista, isso mostra que o Chega “não quer saber nada sobre corrupção” e “só quer saber de uma coisa: poder, lugares, poder, lugares, interesses”. Até porque já sabia dos negócios dentro do PSD Madeira, dado que vem de dentro daquele partido.

Bloco manteve “coerência integral” na defesa do ambiente

Hélder Spínola, mandatário da campanha do Bloco nestas eleições, salientou a diferença entre partidos de esquerda e direita no que diz respeito à defesa do ambiente, nomeadamente “de questões como as alterações no clima, a perda de biodiversidade, a dificuldade em obtermos água em quantidade e em qualidade”. Para ele, o crescimento da direita tem implicado até “o risco de alguns retrocessos”.

Concluiu que “o Bloco de Esquerda tem assumido, perante todos, uma coerência integral, nomeadamente com os próprios modelos de desenvolvimento económico que defende, porque esta questão da defesa do ambiente está intimamente relacionada com a forma como as economias se têm desenvolvido, baseadas na exploração dos recursos até à exaustão, sem respeitar os direitos humanos e as questões sociais.”

PSD “abandonou os madeirenses à ganância e à especulação”

Dina Letra, coordenadora do Bloco de Esquerda/Madeira, distinguiu a “Madeira real” da “Ilha das Maravilhas e da propaganda que o PSD com o Miguel Albuquerque nos querem impingir”. Na primeira “falta pão, falta saúde, habitação, falta educação” e esse é o resultado de “48 anos de maiorias absolutas do PSD Madeira, o único partido que sempre foi governo na região e cujas políticas são promotoras de desigualdade, construíram uma rede clientelar de elites de privilégio, mas também de dependência”.

Por isso defendeu a urgência de uma mudança que ponha fim a uma governação que “abandonou os madeirenses e porto-santenses à ganância e à especulação de uns poucos” e “nada fez para reverter a pobreza” ou a “emigração da nossa juventude que quer continuar a viver na sua terra, mas não consegue”. Por isso, defende, é “urgente uma mudança”.