Pacto das Migrações

“O maior problema não são as filas no aeroporto, é a normalização da detenção em massa”

12 de junho 2026 - 11:22

Entra esta sexta-feira em vigor o Pacto de Migrações e Asilo da União Europeia. Catarina Martins defende que a esquerda deve continuar a bater-se em nome da solidariedade e contra as medidas que violam a Constituição.

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Catarina Martins
Catarina Martins no Parlamento Europeu. Foto The Left

O Pacto de Migrações e Asilo da União Europeia foi aprovado em 2024 ao fim de mais de três anos de negociação e entra esta sexta-feira oficialmente em vigor, apesar de apenas cinco dos 27 Estados-membros terem concluído a transposição da legislação.

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Para a eurodeputada Catarina Martins, “ao contrário do que o Comissário diz, o maior problema não são as filas no aeroporto. A verdadeira crise está na normalização da detenção em massa logo na fronteira, que agora passa a incluir de forma oficial famílias, incluindo menores”.

“Sob a desculpa de acelerar processos, o pacto enfia pessoas em centros de triagem por meses a fio, tratando a privação de liberdade como regra de controlo e não como último recurso. Este ambiente de vigilância extrema é agravado pela massificação do sistema Eurodac, que transforma a recolha de dados biométricos — incluindo impressões digitais e reconhecimento facial de crianças a partir dos 6 anos — numa ferramenta de controlo policial contínuo”.

A externalização da detenção de migrantes para países terceiros, com a Europa a adotar o modelo implementado pelo governo italiano de Giorgia Meloni, vem facilitar “acordos políticos que não garantem a proteção mais básica dos direitos humanos”, afirma a eurodeputada do Bloco de Esquerda.

“Neste novo jogo do empurra, um refugiado afegão pode acabar deportado para a Turquia e, a partir daí, ver-se empurrado de volta para o inferno do Afeganistão”, exemplifica.

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“A esquerda bateu-se contra este pacto e a sua entrada em vigor não deve paralisar-nos. Nas instituições, devemos bater-nos contra cada uma das medidas que violam a nossa Constituição. Nas ruas, fazer da solidariedade a nossa força e ação”, conclui Catarina Martins.