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PSD/Madeira escolhe arguido por corrupção para liderar partido

O líder demissionário do Governo da Madeira, arguido no processo de corrupção entre governantes e empresários da ilha, recandidatou-se e voltou a ser o escolhido para líder regional do PSD.
Miguel Albuquerque em campanha para as legislativas.
Miguel Albuquerque em campanha para as legislativas. Foto PSD/Madeira

Por menos de 400 votos de diferença, Miguel Albuquerque ganhou a corrida à liderança do PSD/Madeira com 2.246 votos, tendo o candidato derrotado, Manuel António Correia, obtido 1.854 votos. O candidato da oposição, que contava com o apoio de Alberto João Jardim, venceu nos concelhos do Funchal e Câmara de Lobos, com Albuquerque a assegurar a vitória nos restantes concelhos do arquipélago.

A eleição de Albuquerque ganha significado histórico, na medida em que esta é a primeira vez na história da democracia portuguesa que um partido elege para o liderar alguém que está constituído arguido por suspeita de crimes de corrupção, prevaricação, abuso de poder e atentado contra o Estado de Direito.

A operação policial que em janeiro levou a buscas na casa e residência oficial de Miguel Albuquerque, do seu nº 2 no partido e então presidente da autarquia funchalense, Pedro Calado, e dos empresários Avelino Farinha e Custódio Correia, teve como consequência a demissão de Albuquerque da liderança do Governo Regional, o que deve provocar a convocação de eleições antecipadas na Madeira para os próximos meses. Na altura, o líder do PSD/Madeira, que nega as acusações, optou por se afastar, mas a decisão do juiz de instrução do processo que ouviu os restantes arguidos, libertando-os em seguida com termo de identidade e residência, fez Albuquerque mudar de ideias e querer voltar a disputar eleições enquanto é arguido e suspeito de usar os recursos públicos para favorecer os interesses do grupo económico ao qual são adjudicados muitos contratos públicos das grandes obras da Região e que é proprietário de boa parte dos órgãos de comunicação social na Madeira.

“Ganhamos desde há 47 anos e desde 2015 já ganhámos sete vezes. Há novas dinâmicas que tornam difíceis que haja maioria absoluta, mas vamos para ganhar”, prometeu Albuquerque aos apoiantes no discurso de vitória na noite de quinta-feira. O seu adversário queixou-se da falta de tempo para a campanha, da ausência de debates com Albuquerque e das pressões sobre apoiantes para concluir que as eleições "não foram justas". E prometeu estar “particularmente atento” para que “ninguém seja punido só porque apoiou” a sua candidatura.

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