Não carecia, há muito tempo que as barracas se sucedem. A problemática situação da habitação, o episódio do pequeno Potemkine, o IVA sobre alguns produtos alimentares, ilustram bem o desnorte do governo, a insensibilidade e o desconhecimento.
Tudo se resume a um princípio: o salário é a variável de ajustamento para o aumento do lucro, que garantirá a prosperidade e o investimento e a abundância de rios de leite e mel.
Uma rede pública de creches com tutela única educacional é a melhor forma de ter uma educação da primeira infância com igualdade, qualidade e com educadores dentro da carreira docente. Em vez disso o Estado prefere financiar e depender do sistema privado.
Quando se governa contra o sufrágio popular e a vontade maioritária e se tenta condenar ao fracasso as mobilizações de rua e a ação coletiva, fecham-se as portas a alternativas democráticas e abre-se a porta à extrema-direita. É o que está a acontecer em França.
Em vez de cortar nos lucros especulativos, o governo oferece 410 milhões de IVA aos supermercados e pede-lhes o favor de os descontarem nos preços. Sempre que Costa assina um acordo, sai uma borla nos impostos para o capital.
Nuno Barata e José Pacheco são meros peões nas mãos de Rui Rocha e de André Ventura, ao serviço dos seus interesses partidários nacionais e os Açores, para a IL e para o chega, são apenas o tabuleiro onde este jogo se desenrola.
Neste primeiro texto debruço-me sobre o caderno de encargos da privatização. Um documento que traduz a visão que o governo regional e a direita têm para a SATA e para o futuro da mobilidade nos Açores.
O acelerador da política pode agora começar a ser pisado e a velocidade aumentará pelo poder do desgaste. Nunca Marcelo vetou tão antecipadamente uma legislação, nunca Costa se opôs tão veemente a um pré-veto.
Ao assistir à peça As Bruxas de Salém, encenada por Nuno Cardoso, somos perfurados por uma lâmina inquietante: a narrativa (altamente ficcionada) do que aconteceu em Salém, Massachusetts, poderia ser transposta, a muitas outras situações.
É inconcebível que, num arquipélago onde nem existe transporte de passageiros por via marítima ao longo de todo o ano, se venha retirar das pessoas aquele que é o seu meio de transporte. Temos mar que nos separa e querem privatizar as canoas que detemos.
A nova corrida ao ouro são os criptoativos ou as suas múltiplas ramificações, os NFT no mercado da arte, os espaços “imobiliários” ou “comerciais” no metaverso, os negócios de credulice nas redes.