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Barata e Pacheco nas mãos de Rocha e de Ventura

Nuno Barata e José Pacheco são meros peões nas mãos de Rui Rocha e de André Ventura, ao serviço dos seus interesses partidários nacionais e os Açores, para a IL e para o chega, são apenas o tabuleiro onde este jogo se desenrola.

Os atores são outros, mas o enredo é o mesmo: quando os acordos de incidência parlamentar nos Açores colocam entraves à estratégia do respetivo partido a nível nacional, os deputados destes partidos no parlamento dos Açores cumprem diligentemente as ordens dos seus líderes nacionais e toca a “rasgar o acordo”.

O cenário é sempre dramático para que a história capte facilmente a atenção em Lisboa. No entanto, apesar do ‘suspense’, o fim é sempre o mesmo: os pedaços do papel do acordo rasgado nunca chegam a aparecer.

O argumento original que daria, mais tarde, origem ao filme, aconteceu em janeiro de 2021, quando André Ventura ameaçou romper o acordo nos Açores porque o PSD e o CDS, no continente, tinham excluído o chega de um acordo para as eleições autárquicas daquele ano.

A estreia do filme aconteceu mais tarde, no mesmo ano, em novembro, com André Ventura – mais uma vez a partir de Lisboa – a ser muito claro: “A direção nacional do chega, e eu, como seu presidente eleito, daremos instruções para que cesse o apoio do chega ao governo regional dos Açores”. Mas na hora da verdade o chega deu a mão ao governo.

Em abril de 2022, o deputado do chega, José Pacheco, diz que o acordo com o governo de coligação acabou e garante que vota contra o Orçamento para 2023. O deputado do chega estava tão entusiasmado e a desempenhar o papel tão bem que chegou a dizer o seguinte: “Em novembro, temos um orçamento e está aqui a garantia do deputado do chega José Pacheco: o orçamento está chumbado”. Mas, mais uma vez, o chega estendeu a mão ao governo e aprovou o orçamento.

Agora, esta semana, estreou a versão liberal do mesmo filme.

Rui Rocha, novo líder nacional da IL, quer afirmar o seu partido como alternativa ao PSD no continente, mas a existência de um acordo nos Açores era uma pedra no sapato que dificultava esta estratégia.

Por isso, Rui Rocha resolve marcar uma viagem aos Açores para resolver o assunto cortando o mal pela raiz. E Nuno Barata nem conseguiu esperar o tempo suficiente para tornar mais difícil a associação entre a vinda de Rui Rocha aos Açores e o golpe de teatro “Romper o Acordo – versão liberal”.

A conclusão que se pode tirar destes episódios é que Nuno Barata e José Pacheco são meros peões nas mãos de Rui Rocha e de André Ventura, ao serviço dos seus interesses partidários nacionais, e que os Açores, para a IL e para o chega, são apenas o tabuleiro onde este jogo se desenrola.

Sobre o/a autor(a)

Deputada do Bloco de Esquerda na Assembleia Regional dos Açores. Licenciada em Educação. Ativista pelos Direitos dos Animais. Coordenadora do Bloco da Ilha Terceira
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