Maria Luísa Cabral

Maria Luísa Cabral

Bibliotecária aposentada. Activista do Bloco de Esquerda. Escreve com a grafia anterior ao acordo ortográfico de 1990

Cada um de nós andou que se fartou para se formar como cidadão, para conseguir o que tem, sem copiar futebolista nenhum. A alocução do Primeiro-Ministro encorajando os portugueses a copiar o CR7 foi indigna e ínvia.

Quando a igualdade de direitos está em causa, quando o digital nos atropela, lutar pelo acesso à informação impressa é prioritário, não é quixotesco. Dinamizar a comunidade, impedir o isolamento, promover a leitura.

A solidariedade não é uma palavra vã. O ataque governamental que provoca a Greve Geral atinge todos nós, os que trabalham e os que já trabalharam, os estudantes, põe em causa Abril. Mostremos que estamos solidários.

Foi a partir de Junho último que todos ficámos a saber das atrocidades que a PIDE praticou em Moçambique. É obrigatoriamente oportuno arranjar espaço na agenda para este caso. Uma agenda muito preenchida pode ser uma armadilha, virar-se contra o que nos move. Vamos lá então adaptar a agenda.

Em nome da democracia, a rádio e televisão escancaram os seus espaços à mais vil tentativa de inverter a ordem democrática. É isto tolerável?

Às vezes não se é feliz nos termos escolhidos para um texto, mas o teor do mesmo pode dissipar dúvidas. O problema só existe se em vez de dissipar, sublinhar.

Os arquivos são instituições insubstituíveis. O reconhecimento da sua importância e responsabilidade tem de ser garantido, não podemos ignorar a história.

Vemos e ouvimos muitas declarações, muitas intenções. Quem não tem tecto vai esgotando a paciência. Avançar com medidas de emergência, uma solução de pós catástrofe é a única alternativa.

As leis dos homens falharam, a desumanidade dita a sua lei. Vemos, vimos… calamos?! Não podemos ignorar.

Sem nenhuma espécie de aviso, sofremos um severo choque a 28 de Abril. Frágeis e sozinhos, provação desta dispensamos que se repita.