Internacional

katrina.jpgO segundo aniversário da passagem devastadora do furacão Katrina pela cidade americana de Nova Orleães é assinalado hoje por manifestações de protesto que pretendem chamar a atenção para o grau de abandono a que a cidade foi votada pelas autoridades. Há dois anos, o furacão inundou 80% da cidade e matou mais de 1600 pessoas nos estados de Louisiana e Mississippi. Foi o pior desastre natural da história dos Estados Unidos.

Abdullah GulO Parlamento turco elegeu como novo Presidente da República o ministro dos Negócios Estrangeiros Abdullah Gul, que se torna no primeiro político islâmico a aceder ao cargo máximo da Turquia, desde 1937, ano em que a laicidade foi incluída na Constituição deste país. Em Abril, a candidatura de Guhl à Presidência acabou por provocar eleições antecipadas, que o seu partido viria a ganhar com ainda mais votos, permitindo-lhe assegurar desta vez a eleição. Quem não gostou da votação de hoje foi o chefe do exército turco, que avisou que o sistema secular está a ser atacado por "centros do mal que procuram sistematicamente destrui-lo".



Leia o texto de François Georgeon, sobre Turquia e Laicidade, no dossier socialismo 2007
 

Trabalhador chinêsSão raras as manifestações de trabalhadores em Pequim. E quando acontecem a reposta das autoridades é automática. Foi o que sucedeu hoje, com cerca de três centenas de trabalhadores da construção civil que se manifestavam contra salários em atraso. A Polícia impediu o protesto e levou os trabalhadores em autocarros. Segundo estatísticas estatais recentes, 15 por cento dos trabalhadores migrantes têm os ordenados em atraso, 50 por cento não recebem pagamentos de horas extras e 8 por cento não têm direito a férias.
 

gonzales02.jpgO Procurador-Geral dos Estados Unidos (attorney general, cargo que corresponde a Ministro da Justiça) Alberto Gonzales renunciou ao cargo, uma decisão que implica num novo abalo para a actual administração da Casa Branca. As pressões para a demissão de Alberto Gonzales multiplicaram-se nos últimos meses. Fiel colaborador de Bush, Gonzales foi alvo de um inquérito interno ligado ao despedimento, no ano passado, de oito procuradores federais, que, segundo a oposição, foram afastados por motivos políticos.

grecia_fogos.jpgO número de vítimas
mortais dos incêndios que estão a devastar a Grécia
já chegou a 63. Há pelo menos 89 focos de incêndio
em todo o país, atiçados pelos ventos fortes. Há
centenas de aldeias destruídas e ontem o fogo esteve perto das
ruínas de Olímpia, o berço dos Jogos Olímpicos,
consideradas Património da Humanidade pela Unesco. Milhares
de pessoas que fugiram dos incêndios ficaram sem abrigo e estão
temporariamente alojadas em escolas, hotéis e centros de
saúde. O estado de emergência foi declarado no sábado.

kouchner.jpgO governo iraquiano pediu ontem à França que se desculpe pelas declarações do seu ministro dos Negócios Estrangeiros e criticou a senadora democrata norte-americana Hillary Clinton por ter pedido a substituição do primeiro-ministro Nuri al-Maliki. "Algumas personalidades internacionais, a partir dos seus cargos, estão a manifestar e a ditar directrizes ao Parlamento para derrubar o governo. Esta é uma flagrante interferência nos assuntos de um Estado independente e nos do Parlamento eleito por 12 milhões de iraquianos", afirmou o primeiro-ministro Nuri al-Maliki.

Larisa ArapLarisa Arap, a jornalista que foi presa e internada no mês passado por denunciar práticas de tortura nos hospitais psiquiátricos russos, foi libertada esta semana, revela o jornal Independent. Depois de 46 dias de cativeiro, a jornalista afirma que levou injecções à força -"umas a seguir às outras"- que a obrigaram a tomar medicamentos - cujos efeitos a longo prazo desconhece - de tal modo que mal conseguia andar ou falar. Activistas russos declararam que este caso revela o que vêm denunciando há anos: "as punições psiquiátricas não terminaram com o fim da União Soviética".

Mousa Abu Marzook. Foto APEnquanto o Primeiro-Ministro israelita Ehud Olmert corteja Mahmoud Abbas, da Fatah, como "parceiro para a paz", sucessivas vozes continuam a manifestar-se contra os esforços para pôr de lado o governo do Hamas, democraticamente eleito. Tal como concluiu na segunda-feira o Comité Britânico dos Negócios Estrangeiros, da Câmara dos Comuns, esta estratégia é contraproducente e está condenada ao fracasso, pela simples razão de que indubitavelmente lhe falta o apoio do povo palestiniano.

Por Mousa Abu Marzook, chefe do gabinete político do Hamas. Publicado originalmente no The Guardian

 

roman-soliders.jpgO Inspector Geral
("comptroller") dos EUA, David Walker, fez uma análise
muito pessimista do futuro do país, num relatório
publicado recentemente. Estabelecendo um paralelo com o fim do
Império Romano, Walker avisou que existem "similaridades
acutilantes" entre a situação actual dos EUA e os
factores que levaram à queda de Roma. Entre estas incluem-se o
"declínio dos valores morais e da civilidade política
interna, uma presença militar no exterior em excesso e com
excesso de confiança, e uma irresponsabilidade fiscal por
parte do governo central."

Artigo de Jeremy Grant, Financial Times

Foto myglesias/FlickrUm dos mais influentes senadores republicanos nas questões da segurança interna regressou ontem aos EUA duma visita ao Médio-Oriente e instou o presidente Bush a iniciar a retirada de tropas, a tempo de ter 5000 soldados de volta a casa no Natal. No mesmo dia, um relatório do organismo que coordena as 16 agências de informação e espionagem no terreno declarava não acreditar que o governo iraquiano possa aproveitar da melhor maneira o aumento do número de soldados que fez parte da "nova estratégia" da Casa Branca, prevendo o regresso da violência sectária nos próximos meses.

george_bush.jpgO presidente dos EUA, George W. Bush,
defendeu a guerra e o envolvimento dos EUA no Iraque invocando a
experiência do Vietname, argumentando que a retirada das tropas
do seu país levaria a um morticínio generalizado, tal
como, segundo ele, aconteceu há três décadas.
Bush falou numa convenção de veteranos de guerras
estrangeiras.

A retirada dos EUA do Vietname tem
estado sob o fogo dos neoconservadores, que argumentam que, se as
tropas americanas tivessem ficado mais no país, a guerra
poderia ter sido "ganha".

"O presidente aprendeu a lição
histórica errada", disse o senador democrata Ted Kennedy.
"Os EUA perderam a guerra no Vietname porque os nossos soldados
estavam encurralados num país distante que não
compreendíamos, apoiando um governo que não era
legítimo para o seu povo."

cannabis-medicinal.jpgPela primeira vez, as autoridades alemãs permitiram a utilização de marijuana para fins terapêuticos. Depois de sofrer durante 14 anos consecutivos de esclerose múltipla, a alemã Claudia H.,de 51 anos, recebeu uma permissão oficial para comprar marijuana "em gotas" na farmácia, para combater as fortes dores de que padece. Na Alemanha, a substância só podia ser utilizada para pesquisas científicas ou de "interesse público". Foi exactamente com base no argumento de que a saúde de cada um/a é uma questão de "interesse público" que a paciente conseguiu convencer as autoridades alemãs.



Veja também o Projecto-Lei do Bloco, precisamente sobre esta questão. 
 

Helicóptero UH-60 Black Hawk , igual ao que caiu hoje.O Iraque continua a ferro e fogo. Hoje morreram 14 militares americanos na queda de um helicóptero, o pior acidente desde Janeiro de 2005, elevando para mais de 3700 o número de baixas dos EUA desde o início da ocupação. De manhã, um atentado em Beiji (200 km a norte de Baghdad) já tinha feito 20 mortos e cerca de 50 feridos. Entretanto, um grupo de sete militares americanos que estão em pleno terreno de batalha, publicaram um artigo demolidor no New York Times em que qualificam como surrealista os supostos progressos no Iraque apregoados por Bush. Tudo péssimas notícias para o Presidente dos EUA, confrontado com a data limite de 15 de Setembro para apresentar um novo relatório no Congresso sobre a situação no Iraque que possa justificar o sucesso das suas últimas decisões.
 

Livingstone e ChavezO Presidente da Câmara de Londres, Ken Livingstone, estabeleceu um acordo com Hugo Chavez que vai permitir reduzir para metade os bilhetes dos autocarros na cidade, beneficiando cerca de 250 mil londrinos mais carenciados. A medida é possível graças aos descontos efectuados pela companhia estatal Petróleos da Venezuela (PDVSA). Em troca, técnicos britânicos vão estabelecer-se em Caracas para prestar serviços de assessoria em matéria de gestão urbana e protecção do ambiente.
 

h_blanco.jpgNo terramoto de 1950 em Cusco, colaborei como voluntário no sistema de ajuda. A minha tarefa era listar todos os desalojados e as suas necessidades. No início éramos recebidos com carinho, mas quanto mais avançávamos no trabalho ia crescendo a hostilidade, as pessoas explodiam: "Já nos registaram dez vezes e não nos chega nada!" Isso era verdade, a ajuda nacional e internacional foi devorada pelos abutres da burocracia oficial.

Quando correu o terramoto de Ancash de 1970 estava preso, mas soube que aconteceu a mesma coisa.

Agora parece que é tudo igual, os abutres da burocracia oficial estão a engordar com a dor das vítimas, felizes pelas grandes quantidades de ajuda nacional e internacional que chega.



Por Hugo Blanco