O Inspector Geral ("comptroller") dos EUA, David Walker, fez uma análise muito pessimista do futuro do país, num relatório publicado recentemente. Estabelecendo um paralelo com o fim do Império Romano, Walker avisou que existem "similaridades acutilantes" entre a situação actual dos EUA e os factores que levaram à queda de Roma. Entre estas incluem-se o "declínio dos valores morais e da civilidade política interna, uma presença militar no exterior em excesso e com excesso de confiança, e uma irresponsabilidade fiscal por parte do governo central."
Artigo de Jeremy Grant, Financial Times
Aviso aos EUA: Aprendam com a queda de Roma
14/8/07 "FT"
O Governo norte-americano está numa "plataforma em chamas" de políticas e práticas insustentáveis com défices fiscais, subfinanciamento crónico da saúde, imigração e compromissos militares no exterior. Todos estes factores ameaçam resultar numa crise, caso não seja tomada qualquer acção num curto prazo, alertou o Inspector Geral do governo dos EUA.
David Walker, Inspector Geral ("comptroller") dos EUA, fez uma análise muito pessimista do futuro do país, num relatório que menciona o que Walker apelidou de "arrefecimento das simulações a longo prazo".
Entre estas incluem-se aumentos "dramáticos" nos impostos, cortes em serviços governamentais e a desvalorização em larga escala por parte dos governos estrangeiros face aos detentores da dívida americana.
Estabelecendo um paralelo com o fim do Império Romano, Walker avisou que existem "similaridades acutilantes" entre a situação actual dos EUA e os factores que levaram à queda de Roma. Entre estas incluem-se o "declínio dos valores morais e da civilidade política interna, uma presença militar no exterior em excesso e com excesso de confiança, e uma irresponsabilidade fiscal por parte do governo central."
"Soa-vos familiar?", questionou Walker. "Na minha perspectiva, é tempo de aprender com a História e dar passos para assegurar que a República Americana é a primeira a resistir à passagem do tempo."
As posições de Walker acarretam bastante peso, uma vez que este ocupa uma posição não partidária, encontrando-se à frente do "Gabinete de Contabilidade Geral" ["Government Accountability Office"], repetidas vezes descrito como o braço investigador do Congresso Americano.
Ao passo que muitos dos seus estudos são comissariados por legisladores, cerca de 10% - incluindo o estudo que continha os seus últimos avisos - são iniciados pelo próprio Inspector Geral.
Numa entrevista ao Finantial Times, Walker disse ter já mencionado alguns destes assuntos anteriormente, mas sem querer "aumentar o volume da discussão". Alguns seriam também demasiado sensíveis para que outras pessoas do Governo "vissem o seu nome ser-lhes associado".
"Estou a tentar soar um alarme e a fazer uma chamada de alerta", referiu. "Como Inspector Geral tenho capacidade para realizar uma análise mais ampla, e abordar assuntos em relação aos quais outros podem estar hesitantes, e em muitos casos não estar sequer em posição de os abordar."
"Uma das preocupações é obviamente a de que somos um grande país, mas enfrentamos grandes desafios de sustentabilidade que não estamos a levar em linha de conta de forma suficientemente séria.", disse Walker, que foi nomeado para o cargo durante a administração de Clinton, com um mandato de 15 anos.
O desequilíbrio fiscal significa que os EUA estarão "a caminho de uma explosão da dívida".
"Com a assustadora reforma dos "baby-boomers", o aumento em espiral dos custos dos cuidados de saúde, a queda acentuada das taxas de poupança e a crescente dependência do crédito estrangeiro, enfrentamos riscos fiscais sem precedentes", disse Walker, antigo executivo sénior da auditora PwC.
As políticas actuais dos EUA para a educação, energia, ambiente, imigração e Iraque estão também num "rumo insustentável".
"A nossa própria prosperidade está a colocar grandes exigências à nossa infra-estrutura física. Serão necessários biliões de dólares para modernizar tudo, desde as auto-estradas e aeroportos, às águas e sistemas de saneamento. O recente colapso da ponte em Mineápolis foi uma sóbria chamada de atenção."
Walker referiu ainda que iria propor um briefing aos potenciais candidatos à presidência, na próxima primavera.
"Estes necessitam tornar a responsabilidade fiscal e a equidade inter-geracional numa das suas prioridades de topo. Se o fizerem, creio que teremos hipótese de dar a volta à situação. Se não o fizerem, o risco de uma crise séria aumenta consideravelmente".