O Iraque continua a ferro e fogo. Hoje morreram 14 militares americanos na queda de um helicóptero, o pior acidente desde Janeiro de 2005, elevando para mais de 3700 o número de baixas dos EUA desde o início da ocupação. De manhã, um atentado em Beiji (200 km a norte de Baghdad) já tinha feito 20 mortos e cerca de 50 feridos. Entretanto, um grupo de sete militares americanos que estão em pleno terreno de batalha, publicaram um artigo demolidor no New York Times em que qualificam como surrealista os supostos progressos no Iraque apregoados por Bush. Tudo péssimas notícias para o Presidente dos EUA, confrontado com a data limite de 15 de Setembro para apresentar um novo relatório no Congresso sobre a situação no Iraque que possa justificar o sucesso das suas últimas decisões.
Catorze soldados americanos morreram hoje devido à queda de um helicóptero no Iraque. Segundo o exército americano, o acidente deveu-se a uma falha mecânica, não havendo indícios de "fogo inimigo". Os militares faziam parte da chamada Força -Tarefa Relâmpago, uma divisão americana responsável por uma grande área no norte do Iraque, incluindo as cidades de Balad, Kirkuk, Tikrit, Mosul e Samarra. Segundo o correspondente da BBC em Bagdá Mike Wooldridge, a ocorrência de vários acidentes com helicópteros no Iraque indica que o Exército americano depende deles para evitar a ameaça de emboscadas e bombas colocadas nas estradas.
Este foi o pior acidente com soldados americanos desde Janeiro de 2005, quando 31 militares morreram também na queda de um helicóptero. Desde o início da ocupação, já morreram 3721 soldados mericanos (dados da APF).
Durante a manhã, um atentado suicida com um camião bomba já tinha vitimado 20 pessoas e ferido cerca de 50. O ataque ocorreu em Beiji, a 200 km a norte de Baghdad, sendo as vítimas maioritariamente civis.
Entretanto, o jornal El Pais revela que sete militares dos EUA, que estão quase a terminar 15 meses de missão no terreno de batalha, escreveram um demolidor artigo na edição impressa do diário New York Times, em que qualificam de surrealista o debate político em Washington sobre os supostos progressos no Iraque. "Acreditar que as tropas americanas, que como força ocupante já há muito tempo que não são bem-vindas, podem ganhar a população local desconfiada é uma fantasia", escrevem os seis sargentos e um especialista da Marinha.
Os militares descrevem uma situação caótica, num contexto em que os próprios polícias e soldados iraquianos são mais leais às milícias do que ao governo, participando mesmo em atentados contra soldados americanos. "Ainda que tenhamos ordens e meios para lutar, a nossa capacidade de acção é limitadas porque requer medidas [uso de força letal] que recusamos" acrescentam.
E concluem que "depois de quatro anos de ocupação, fracassámos em cada promessa, enquanto substituímos a titanaia do partido Baaz pela tirania islamita, das milícias e da violência criminal".
Tudo más notícias para Bush, que terá até ao dia 15 de Setembro para mostrar aos Congressistas que a actual estratégia de reforço de tropas está a conseguir garantir a segurança no Iraque.
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