Bush compara Guerra do Iraque com Vietname

23 de agosto 2007 - 12:08
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george_bush.jpgO presidente dos EUA, George W. Bush, defendeu a guerra e o envolvimento dos EUA no Iraque invocando a experiência do Vietname, argumentando que a retirada das tropas do seu país levaria a um morticínio generalizado, tal como, segundo ele, aconteceu há três décadas. Bush falou numa convenção de veteranos de guerras estrangeiras.

A retirada dos EUA do Vietname tem estado sob o fogo dos neoconservadores, que argumentam que, se as tropas americanas tivessem ficado mais no país, a guerra poderia ter sido "ganha".

"O presidente aprendeu a lição histórica errada", disse o senador democrata Ted Kennedy. "Os EUA perderam a guerra no Vietname porque os nossos soldados estavam encurralados num país distante que não compreendíamos, apoiando um governo que não era legítimo para o seu povo."

Para Bush, a saída das tropas americanas permitiu que o Khmer Vermelho começasse "a sua ditadura assassina" no Camboja e que "ex-aliados dos EUA, funcionários do governo (do Vietname do Sul) fossem mandados para campos de prisioneiros, onde milhares pereceram", no Vietname.

"Seja qual for sua posição, um legado inequívoco do Vietname é que o preço da retirada foi pago por milhões de cidadãos inocentes cuja agonia daria ao nosso vocabulário termos como 'boat people', campos de reeducação e campos da morte", disse Bush.

Ao fazer a comparação entre o Iraque e o Vietname, Bush mexeu no ninho de vespas dos historiadores, observa a Folha de S. Paulo. Segundo David Gergen, director do Centro de Liderança Pública de Harvard, "Parte do motivo de perdermos no Vietname foi a falta de estratégia. E qual é a estratégia para o Iraque?", perguntou o historiador. "Se aprendemos tanto lá, como é que repetimos os mesmos erros no Iraque?"

Robert Dallek, especialista em presidentes norte-americanos da Universidade de Boston, afirma que Bush distorce a realidade também ao falar do Camboja. A ascensão de Pol Pot e do Khmer Vermelho "foi consequência de termos entrado lá e desestabilizado o país" em primeiro lugar. O Camboja foi bombardeado pelos EUA em 1973, numa acção sem autorização do Congresso.

 

Apoio a Maliki

No discurso, Bush apoiou o enfraquecido primeiro-ministro do Iraque, Nuri al-Maliki, dizendo que ele é "um bom homem com um trabalho difícil." Na terça-feira, falando a jornalistas no Québec, Bush tinha-se mostrado desapontado pela falta de progresso político no Iraque e chegou a dizer que a crescente frustração popular poderia levar à sua substituição. No discurso aos veteranos, Bush disse que não cabe aos políticos de Washington dizer se ele vai ou não ficar no cargo. Cabe ao povo iraquiano que hoje vive em democracia e não em ditadura."

Na quarta-feira, a senadora democrata Hillary Clinton defendeu a saída de Maliki se não conseguir obter um compromisso político com rapidez.

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