China: Polícia acaba com protesto de trabalhadores

28 de agosto 2007 - 12:30
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Trabalhador chinêsSão raras as manifestações de trabalhadores em Pequim. E quando acontecem a reposta das autoridades é automática. Foi o que sucedeu hoje, com cerca de três centenas de trabalhadores da construção civil que se manifestavam contra salários em atraso. A Polícia impediu o protesto e levou os trabalhadores em autocarros. Segundo estatísticas estatais recentes, 15 por cento dos trabalhadores migrantes têm os ordenados em atraso, 50 por cento não recebem pagamentos de horas extras e 8 por cento não têm direito a férias.

Os trabalhadores começaram a reunir-se no centro do bairro financeiro e comercial da capital chinesa e planeavam manifestar-se até à praça de Tiananmen, um dos locais mais sensíveis do país desde que foi palco em 1989 da repressão militar das manifestações pacíficas pró-democracia.

As cerca de três centenas de manifestantes alegavam que a empresa privada para a qual trabalhavam nunca lhes pagou os ordenados correspondentes à construção de um edifício nos arredores de Pequim. «Nunca recebemos qualquer pagamento. Exigimos os nossos salários e não voltamos ao trabalho até que nos paguem», disse um dos trabalhadores, de apelido Zhou, aos jornalistas presentes no local da manifestação.



Ainda antes do início da manifestação, a polícia de Pequim chegou ao local e fez entrar os manifestantes para dentro de seis autocarros que partiram em direcção desconhecida.

Segundo dados citados pela Agência Lusa e Diário Digital, cerca de 130 milhões de pessoas deslocaram-se das áreas rurais para as cidades em busca de empregos desde o final da década de 1980. As estatísticas estatais mais recentes revelam que 15 por cento dos trabalhadores migrantes têm os ordenados em atraso, 50 por cento não recebem pagamentos de horas extras e 8 por cento não têm direito a férias.

Apesar do número cada vez maior de manifestações de trabalhadores, elas são raras em Pequim, a sede do poder político no país.

Esquerda.net com Lusa