Larisa Arap, a jornalista que foi presa e internada no mês passado por denunciar práticas de tortura nos hospitais psiquiátricos russos, foi libertada esta semana, revela o jornal Independent. Depois de 46 dias de cativeiro, a jornalista afirma que levou injecções à força -"umas a seguir às outras"- que a obrigaram a tomar medicamentos - cujos efeitos a longo prazo desconhece - de tal modo que mal conseguia andar ou falar. Activistas russos declararam que este caso revela o que vêm denunciando há anos: "as punições psiquiátricas não terminaram com o fim da União Soviética".
"Não me sinto muito bem, mas tenho um espírito lutador" afirmou Larisa Arap, que foi libertada logo após o provedor dos direitos humanos na Rússia, Vladimir Lukin, ter afirmado que não existiam razões para o seu internamento.
A Jornalista, que participou no movimento de oposição encabeçado pelo antigo campeão mundial de xadrez Gary Kasparov, tinha sido detida a 6 de Julho e internada compulsivamente a 18 de Julho, alegadamente por ter denunciado, em artigo publicado, práticas de tortura que incluiam electrochoques sobre crianças em hospitias psiquiátricos. "Estamos prontos para levar isto a tribunal, embora os médicos tenham dexado claro que iríamos perder" afirmou Larisa Arap.
A história desta jornalista reveste-se de contornos macabros. Na verdade, esta não foi a primeira vez que foi internada compulsivamente. Há alguns anos atrás denunciou a corrupção existente numa associação de condomínios. Foi alvo de uma tentativa de assassinato e foi avisada pelo FSB (sucessor do KGB) para permanecer calada. Mas falou.
Em consequência foi levada para um sanatório, onde muitos dos ocupantes pareciam totalmente saudáveis. Foi no artigo "Madhouse", escrito a partir desta experiência, que Lary Arper denunciou a tortura sobre os pacientes, que incluia electrochoques, violações, "sovas", e inclusivamente remoção de órgãos. A publicação do artigo levou-a de volta ao internamento compulsivo, do qual só saiu esta semana.
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