A Esquerda, que não tem acesso ao poderio económico que a direita possui, tem que se reconstruir e actualizar, aprofundando o debate crítico comum, sem perder os seus princípios, no sentido de afrontar culturalmente a direita e os pseudovalores que propõe.
Após o impacto devastador na saúde, bem-estar e economia da covid-19, seria natural que surgisse um desejo de melhorar a resposta comum a este tipo de ameaças.
Os debates sobre o direito à habitação não podem fugir à questão dos preços e de como controlar e baixar preços. É impossível ignorar as medidas de fixação e controlo de rendas, ou de limitações ao alojamento local.
Hoje aparecem com cara de preocupados, mas esquecem a responsabilidade que têm nesta matéria incluindo altas patentes da Marinha que assistem a tudo isto como se não lhes dissesse respeito.
A missão de ser da PSP ou da GNR não é fácil, o Estado não a pode tornar mais difícil. O Governo tem o dever constitucional de lhes garantir nível de rendimento adequado às suas funções e ao direito a uma vida digna.
O que está em debate é mesmo uma mudança de fundo para desproteger os desempregados e baixar os salários, ao obrigar quem recebe um subsídio para o qual descontou a aceitar trabalhar por menos.
Em vez de resolver os problemas administrativos que impediam a regularização de imigrantes, Luís Montenegro preferiu quebrar a regra de humanidade elementar que sustinha a lei portuguesa: quem cá vive e trabalha deve ser incluído na comunidade.
Variações foi uma das mais belas criações de Abril e se essa liberdade já estava na figura grave com que nos impactou, ainda mais está naquele sorriso afinal fresco e cativante e leve.
Os povos almejam a paz e rejeitam a guerra e a sua escalada, que só pode conduzir ao desastre. Por este facto, diversos políticos e forças belicistas acabaram por ser derrotados nas eleições europeias.
Sim, a direita tem todas as razões para comemorar o 25 de novembro. Comemorem, é o vosso dia, só não digam, por favor, que é a continuação do 25 de abril, porque é a sua negação.
A realidade muito complicada que nos cerca impõe reconhecer e assimilar que o Brasil mudou e para pior, muito pior, nos últimos dez anos. O que não é fácil para a geração mais veterana da esquerda, porque a decepção é muito grande.
Salvar o SNS é o ponto de partida de qualquer programa de esquerda, do qual nunca abdicaremos. Independentemente do preço a pagar por ele. O Bloco já pagou um elevado preço. Valeram a pena todos os combates, todos os chumbos.