As últimas eleições para o Parlamento Europeu produziram diversas alterações com um forte impacto no panorama político na União Europeia. As mais significativas foram o avanço das forças da extrema-direita racista e neofascista e a derrota das políticas belicistas e do partido da guerra.
O crescimento das forças da extrema-direita na Europa é uma realidade, mas não cresceram tanto como se esperava. Tal como nos anos 20 e 30 do século XX, uma das causas da ascensão do neofascismo assentou no fiasco desastroso dos governos, de todos os matizes, que adotaram, nos últimos anos, políticas ultraliberais. Destacam-se os governos da França e da Alemanha, o eixo central permanente da União Europeia. Por outro lado, com a invasão da Ucrânia pela Rússia, Macron e Scholz têm-se afirmado como os principais belicistas e intervenientes no reforço militarista da NATO e na escalada da guerra. São públicas as declarações de Macron ao querer enviar tropas francesas para a Ucrânia para enfrentar os agressores russos. Também o extermínio do povo palestiniano em Gaza e na Cisjordância pelos carniceiros sionistas tem merecido o aplauso e até o incentivo dos governantes europeus, com destaque para o governo da Alemanha que continua a exportar armas para Israel.
As eleições em França e na Alemanha representaram um autêntico terramoto político. A Renovação, o bloco parlamentar de Emmanuel Macron que obteve 45% das cadeiras na Assembleia Nacional há menos de dois anos, desceu para 16% nas europeias. A Reunião Nacional de Marine Le Pen foi a grande vencedora ao atingir mais de 31% (contra 18,7% em 2022). A única esperança para o povo francês, para barrar a conquista do poder pela extrema-direita, reside na constituição recente da Nova Frente Popular, de esquerda, que agrega socialistas, comunistas, ecologistas e a radical França Insubmissa. Mesmo que sobreviva e se mantenha como Presidente de França até 2027, Macron arrisca-se a “morrer” politicamente por antecipação.
Na Alemanha, nas últimas eleições federais, os partidos do governo liderado pelo chanceler Olaf Scholz (SPD, Verdes e Liberais), obtiveram em conjunto 52% do eleitorado e nas eleições europeias obtiveram apenas 31%. O SPD alcançou o seu pior resultado de sempre. Os Verdes de Annalena Baerbock, a ministra dos Negócios Estrangeiros, uma das políticas europeias mais belicistas, perdeu quase 40% dos seus eleitores em relação às anteriores eleições europeias. Esta quebra de votação assume-se como uma grande rejeição da política do governo de Scholz.
A maioria do povo alemão receia que as políticas do governo conduzam a Alemanha diretamente para a guerra com a Rússia. E mais de 60% também se opõem ao apoio financeiro e militar à guerra genocida de Netanyahu contra os palestinianos. Tanto alemães com franceses recusam-se a pagar o preço das consequências da política belicista dos seus governos: perda de salários reais, aumento da pobreza, aumento da inflação, aumento das rendas de casa, encerramento e degradação de serviços públicos, cortes nas pensões e aumento da idade de aposentação.
Quem beneficiou de toda esta situação na Alemanha foi o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha que passou de 10,5 para 16%, enquanto a direita conservadora subiu de 26,7 para 30%.
Infelizmente, a força de esquerda Die Linke não se conseguiu afirmar nestas eleições, acabando mesmo por perder quase 50% dos seus eleitores, possivelmente devido a alguns factos negativos que o têm penalizado, nomeadamente a participação em alguns governos estaduais com social-democratas e verdes, as dissidências internas e o apoio ao fornecimento de armas à Ucrânia.
Os povos almejam a paz e rejeitam a guerra e a sua escalada, que só pode conduzir ao desastre. Por este facto, diversos políticos e forças belicistas acabaram por ser derrotados nas eleições europeias.