Mário André Macedo

Enfermeiro especialista em saúde infantil e mestre em saúde pública.

Com as duas principais instituições de liderança estratégica na saúde à deriva, é importante não esquecer que o governo prometeu um plano de emergência para a saúde em menos de 60 dias. Perante tamanha indefinição institucional, não se perspetiva qualquer tipo de documento sólido e realista.

O 25 de abril fez muito bem à nossa saúde. Nestes 50 anos de liberdade, Portugal deixou de ser um país com indicadores de saúde medíocres ou sem escrutínio para passar a ser um país de que nos pode orgulhar em várias dimensões. Está na hora de devolver e cuidar da saúde da democracia.

Ainda não será este Governo a ter a coragem de combater o corporativismo do setor. As competências e responsabilidades das profissões não serão alteradas, deixando de lado a oportunidade de fazer-se mais e melhor com recurso a uma capacidade que já está instalada, mas que não é valorizada.

Citando Talleryrand, dar prioridade aos lucros de alguns em vez da saúde de todos foi pior que um crime, foi um erro.

As alterações climáticas são um problema do presente. Não é a primeira vez que escrevo sobre a relação entre ambiente e saúde, mas hoje trago uma história atual e em desenvolvimento, que afeta vários países do sudeste africano, entre os quais Moçambique.

Em 2018, após meses de luta dos enfermeiros, o governo cedia parcialmente às reivindicações da classe. Porém, o ministério dividiu para reinar: concedeu um subsídio mensal, mas apenas para alguns especialistas. Dentro dos excluídos estiveram cerca de 60 mulheres recém mães.

Necessitamos urgentemente de uma transição energética, alicerçada num verdadeiro planeamento com foco na equidade. A redução da emissão de gases com efeito de estufa só pode ser alcançada com uma transformação e reformulação dos nossos modos de produção e consumo.

A saúde sexual e reprodutiva não se resume apenas no acesso ao aborto seguro e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. A OMS inclui igualmente a prevenção e tratamento de doença oncológica nos órgãos reprodutivos e a prevenção da violência sexual.

A perda de vidas inocentes palestinas não pode ser ignorada. Não podemos fingir que nada está a acontecer enquanto um povo é massacrado, num iniquo e inaceitável processo de culpa coletiva. Precisamos de menos danos colaterais humanos e abrir caminho para a paz.

As dificuldades que o SNS e todo o sistema de saúde português estão a enfrentar neste inverno devem-se em muito à conjugação de uma causa conjuntural com três problemas estruturais: circulação de vírus; carência de recursos humanos; e fraca capacidade de planeamento e gestão da mudança.