Nuno Pinheiro

Nuno Pinheiro

Investigador de CIES/IUL

Depois de 14 anos de governo conservador com uma enorme sucessão de erros e trapalhadas, aconteceu o que se esperava, uma enorme derrota dos Tories. Porém, o sistema eleitoral desproporcional faz a mudança parecer maior.

Sim, a direita tem todas as razões para comemorar o 25 de novembro. Comemorem, é o vosso dia, só não digam, por favor, que é a continuação do 25 de abril, porque é a sua negação.

Comemora-se este ano o 5º centenário do nascimento de Camões, supostamente já que o grau de incerteza e de fantasia que rodeia o poeta torna tudo algo nebuloso. O 3º Centenário da sua morte, em 1880, foi um momento de exaltação nacionalista, em que foi elevado à categoria de símbolo nacional.

O problema é mesmo o assumir a história. Portugal até o fez quando o assunto, bastante antigo eram as perseguições aos judeus. As reparações significam, para Portugal, o afastar o discurso luso-tropicalista que, mesmo 50 anos depois do fim das colónias, continua a predominar.

Há um discurso estranho, mas que hoje se encontra facilmente, e em que se pretende justificar a extrema-direita, é o ver Portugal de hoje, como decadente em relação aos tempos da ditadura. Passam 50 anos sobre o 25 de abril, altura de perceber se existe algum fundamento para esse discurso.

Ninguém tem dúvidas de que o ano que agora começa será marcado por novas lutas. O pior que pode acontecer, para o sistema educativo, é o ministério levar a sua avante e não ceder minimamente às reivindicações dos docentes.

Ensinar o que está adequado aos exames, parece disparatado, mas é o que acontece, embora os resultados deixem muito a desejar. O Ensino Secundário melhoraria baixando a pressão dos exames e da entrada na universidade.

Na discussão atual sobre a guerra da Ucrânia tem vindo a debate a existência ou não de um Imperialismo Russo, sendo esta uma das razões que justifica posições diferentes.

Sou da geração que fez greve contra os exames, na altura achávamos que os exames eram um péssimo método de avaliação, mas, em contrapartida, um ótimo meio de seleção social. Hoje sei mais, e continuo a achar o mesmo.

Belicista, colonialista, decadentista, virado para o passado, o Hino tem um concentrado daquilo que Portugal já não é, ou já devia não ser. Podia (devia) ter sido mudado em 1974, quando Portugal se libertou (e libertou) das colónias.