A escolha de pôr fim à vida convoca a nossa condição de humanidade, a mesma que nos confere direitos fundamentais. É esse o limite da inviolabilidade do direito à vida.
“Não tens medo que te matem por seres “assim”?”, perguntavam-me quando sabiam da minha opinião sobre a eutanásia ou o aborto. O “assim” era deficiente, era aleijado.
Falta colocar este lema mais vezes em prática, porque reconhecer mais direitos a mercadorias do que à dignidade da vida das pessoas é um retrocesso civilizacional que ninguém pode aceitar.
A estratégia para impedir a despenalização da eutanásia é simples: criar medo, pânico, terror, decretar o apocalipse vindouro tão certo como uma vaca voar, com o intuito de convocar a dúvida.
A despenalização da morte voluntária não é um retrocesso civilizacional mas um avanço. Porque quando é o respeito pela decisão de cada um que é aumentado, a rampa é ascendente, não descendente.
A Itália entregou-se a um governo formado pela extrema-direita xenófoba e populistas anti-imigração. A Europa chora lágrimas de crocodilo quando reage pesarosa à mudança política em Itália.