Itália

Em Milão descobriram-se oficinas que fornecem as marcas de luxo com condições de trabalho deploráveis e baixos salários. Ao mesmo tempo, as empresas gastam milhares em marketing para vender a ideia de que os seus produtos são artesanais e que praticam a “responsabilidade social”.

Uma jornalista infiltrou-se na Juventude Nacional, o movimento de juventude do partido da primeira-ministra italiana, e mostra uma realidade de fascismo, antisemitismo e homofobia bem longe das tentativas de mostrar uma imagem de moderação.

Os patrões deixaram-no à porta de casa com um braço decepado numa caixa de frutas. A indignação saiu às ruas e coloca-se em causa o caporalato, o sistema de exploração dos migrantes que, dizem os sindicatos, é acompanhado por “salários de fome, ritmos de trabalho inseguros e desumanos e condições de violência psicológica e física”.

Para além de aumentos de votação importantes da França Insubmissa e do Partido do Trabalho Belga, destaca-se o facto da esquerda italiana ter voltado a ter representação eleitoral com a Sinistra Italiana. Já a Aliança de Esquerda finlandesa obteve 17% e triplicou eleitos.

A primeira-ministra italiana encabeça a lista às europeias e vai à frente nas sondagens. O partido 5 Estrelas negoceia a entrada no grupo dos Verdes e o grupo da Esquerda europeia pode voltar a contar com representação italiana.

Apenas uma mão cheia de neofascistas celebraram este domingo Mussolini no aniversário da sua morte. Mas quando foi eleito primeiro-ministro, choveram elogios liberais por causa do seu plano de austeridade e da repressão do movimento dos trabalhadores.

Clara E. Mattei | Jacobina

Uma nova lei permite o acesso de grupos “pró-vida” a mulheres que pretendem abortar. Um autor antifascista foi “desconvidado” de fazer um monólogo sobre o 25 de Abril na RAI, adensando as críticas à instrumentalização da televisão pública.

As direitas da primeira-ministra, de Salvini e do Força Itália perderam a primeira eleição regional desde que a sua coligação chegou ao poder. O centro-esquerda diz que “os ventos estão a mudar” na politica italiana.

Dunja Mijatovic denuncia violência e criminalização a que são sujeitos ativistas e organizações humanitárias e apela a Estados Europeus para que acabem com a “repressão” de quem ajuda migrantes e requerentes de asilo. Assinado acordo de externalização de fronteiras entre Itália e Albânia.

A única forma de contrariar involuções democráticas, desastres sociais e fragmentação da classe trabalhadora com verdadeira eficácia e participação de massas é a capacidade de combinar a batalha democrática com a batalha social, salários e empregos, no âmbito de um projeto anticapitalista alternativo. Por Franco Turigliatto.

Os aliados do Chega em Itália acham que este crime é demasiado vago e inibe a aprovação de projetos económicos. A Comissão Europeia diz que a proposta “descriminaliza uma forma importante de corrupção”. Magistrados e associações anti-corrupção estão também contra.

O Ocean Viking é acusado de ter tentado salvar a vida a 70 pessoas de uma embarcação em perigo. As autoridades italianas tinham ordenado ao barco que fosse direta e rapidamente para o porto de Bari, de acordo com lei recentemente aprovada pelo governo de extrema-direita.

A aprovação da lei no Ohio, o projeto piloto nos Países Baixos e a criação do ICAD em Portugal são alguns dos temas em destaque nesta edição do podcast.

Num cenário de divisão das direitas, avança-se a austeridade e as privatizações. Ao mesmo tempo, um projeto de revisão constitucional pretende concentrar poderes nas mãos da primeira-ministra e garantir pelo menos 55% de deputados à coligação que vença as eleições independentemente do resultado eleitoral. Por Fabrizio Burattini.

Meloni acordou instalar na Albânia dois centros de detenção de migrantes resgatados do Mediterrâneo. Scholz negociou com os estados alemães o aumento das verbas que o Estado central paga por requerente de asilo, ao mesmo tempo que reduz as suas condições de permanência no território.

Em causa está a duplicação de imagens em oito estudos publicados por Orazio Schillaci entre 2018 e 2022. O ministro nega responsabilidades.

Protestos irromperam no início desta semana, sobretudo no sul do país, depois de cerca de 170.000 pessoas terem recebido um sms a dizer que em agosto já não receberiam o “rendimento de cidadania”. A oposição fala numa “guerra contra os pobres”.

O governo de Meloni tinha exigido que as autoridades locais deixassem de registar casais do mesmo sexo como assumindo a maternidade/paternidade. A seguir, uma procuradora de Pádua passou a requerer a anulação de 33 certidões de nascimento passadas desde 2017.

Vale a pena aprender com a experiência italiana: a estratégia liberal de privatizações, desregulação laboral e redução de impostos falhou redondamente e não promoveu o crescimento nem a prosperidade para a maioria das pessoas no país. Por Vicente Ferreira no blogue Ladrões de Bicicletas.

Apoiado no seu grupo mediático, ocupou o vazio deixado pela implosão dos partidos do pós-guerra. Esteve décadas no centro da política italiana, atraindo a extrema-direita para o governo e fazendo tudo para escapar às malhas da justiça.