Itália

Esquerda italiana descobre polícia infiltrado

28 de maio 2025 - 16:44

O Potere al Popolo denunciou esta terça-feira uma infiltração policial que durou oito meses. Vários casos de infiltrações têm também sido descobertos pelos movimentos sociais em Espanha.

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Foto do polícia infiltrado no Potere ao Popolo
Foto do polícia infiltrado no Potere ao Popolo publicada em fanpage.it/

No outono do ano passado, um jovem de 21 anos apresentou-se ao grupo de jovens do partido Potere al Popolo da Universidade Orientale como um estudante deslocado. Mostrou-se interessado em participar nas atividades da formação política. Muito mesmo. "Esteve presente em todas as distribuições de panfletos, colagens de cartazes, manifestações e comícios contra os despejos. Sempre nas assembleias", conta Matteo Giardiello, da direção nacional do partido, ao Il Manifesto.  

Isto contrastava com outro lado: nunca ninguém foi convidado para sua casa e não participa nas atividades sociais do partido, festas, jantares, concertos. Este comportamento acabou por levantar suspeitas e alguém decidiu procurar por ele na Internet. As suas redes sociais estavam particularmente vazias mas o mesmo dirigente do PaP avança: "encontrámos sem qualquer dificuldade particular a foto dele a tomar posse na polícia, os resultados da competição que tinha ganho, imagens de grupo uniformizadas com os seus colegas". 

No 1° de Maio, depois da manifestação, é visto por acaso a entrar num restaurante em Porta Capuana onde o esperava um grupo de pessoas muito mais velhas de fato e gravata com o qual falou cerca de 15 minutos: "pareceu-nos que tinha ido lá para prestar informações", diz Giardiello. É-lhe pedido que afastasse da organização e quando pergunta por telefone a um estudante da organização a razão, este conta-lhe que tinham as suas fotografias fardado. Segue-se um longo silêncio e a chamada cai. "Acabou com a conversa e desapareceu."

O Potere al Popolo não ficou com dúvidas sobre o que aconteceu durante esses meses: "um polícia disfarçado foi enviado para monitorizar as atividades de um partido político que se diz radical, mas organiza as atividades e ações de forma transparente. Um partido protegido, como os outros, pela Constituição. As liberdades democráticas básicas estão a ser postas em risco."

O caso chegou agora ao Parlamento italiano com o Partido Democrático a solicitar explicações ao Ministério do Interior. Do lado do governo nega-se que houvesse um agente encoberto, referindo que "este tipo de atividade é regulado por uma lei que exige a intervenção da autoridade judiciária".

Soma-se a outro caso recente de espionagem política pelos serviços do Estado no qual foi utilizado o software de uso militar Paragon para vigiar as atividades de jornalistas do Fanpage.it e do jornalista napolitano Ciro Pellegrino, do realizador Francesco Cancellato, dos fundadores da Mediterranea Saving Humans, Luca Casarini e Beppe Caccia, e do capelão Mattia Ferrari e do porta-voz dos Refugiados da Líbia, David Yambio.

O caso lembra também a série de infiltrações policiais que têm vindo a ser descobertas em Espanha em movimentos de esquerda, ecologistas ou independentistas. Dois dos últimos exemplos são deste ano com duas mulheres polícias que se infiltraram, uma nos movimentos ambientalistas de Madrid, a outra no movimento pela Palestina em Barcelona.

Em Espanha, vários agentes policiais não se limitavam a ir a reuniões ou outras atividades da esfera política. Construíram durante anos identidades paralelas apoiadas em relações sociais e ligações íntimas com militantes das organizações alvo desta vigilância.